CaleidoscĂłpio Cultural
André Cunha
ExcelĂŞncia, um conceito ultrapassado
Novo filme do Netflix investiga um caso real de delĂ­rios de grandeza
08/06/2017
Pessoas obcecadas com a excelência podem causar grandes danos à coletividade. Pensem no prejuízo que Dunga, o pitbull do futebol, estrategista supermotivado mas sem criatividade, causou à seleção brasileira. Ou na figura infinitamente melancólica de Donald Trump, empresário e político ultra bem sucedido, no topo da cadeia alimentar geopolítica, sentado em cima de um arsenal atômico, com um topete ridículo - e sem nenhum amigo (Trump já disse que só que ser “amigo” da OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, se eles pagarem). Pense ainda na defenestrada Dilma Roussef, a Rainha da Planilha, gerentona mão-de-ferro, especialista em dar esporro, e seu PIB negativo. Curiosidade: você descreveria Dilma como alguém que “sabe perder”?

“Ele era famoso por seu regime simples de rotina e disciplina. Fazia uma refeição por dia e dormia quatro horas por noite. Ele corria onze quilômetros todas as manhãs” informa o narrador de War Machine (2017), dirigido por David Michôd, em cartaz no Netflix, baseado num livro de Michael Hastings. O frugal personagem, interpretado por Brad Pitt, é o general Glen McMahon, inspirado em Stanley McChrystal, oficial norte-americano que liderou as forças de coalizão no Afeganistão em 2009, numa tentativa de solucionar a “questão afegã.”

McMahon levanta montanhas de homens e recursos em academias militares da Europa em suntuosos bailes de gala. Se recusa a ouvir conselhos de raposas diplomáticas. Está determinado a ganhar a guerra “by the book”, ou seja, como ensinam nos livros militares. Finge que sente um tédio mortal de tudo, mas se acha super importante. Faz aviões militares voarem pra cá e pra lá por capricho. Dorme lendo tijolos motivacionais sobre – que mais? - excelência. McMahon tampouco tem amigos, mas ferozes bajuladores. Claro que tudo vai dar errado.

Aliás, como alguĂ©m consegue correr onze quilĂ´metros, combater o terrorismo e ainda fazer uma mera refeição por dia? Eu, hein. PrĂłximo! 

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