Conceito
Adelmir Santana
Moeda de troca
18/09/2017
Os brasileiros costumam condenar os esc√Ęndalos eleitorais da mesma maneira que recriminam a grande corrup√ß√£o p√ļblica. Mas ser√° que a popula√ß√£o tamb√©m considera como compra de voto, por exemplo, quando para apoiar determinado candidato um eleitor reivindica emprego, a regulariza√ß√£o de seu lote ou vantagens exclusivas para a sua fam√≠lia? A verdade √© que muitas pessoas sequer enxergam neste comportamento um desvio. 

Baseiam suas escolhas em função de benefícios ou oportunidades que podem vir a obter, colocando os interesses individuais acima dos coletivos. O voto, então, passa a ser usado como moeda de troca.

Essa percep√ß√£o de que para votar em algu√©m √© preciso receber uma vantagem pessoal tem se transformado em uma conduta quase natural no Brasil, evidente nos mais diversos segmentos. Vivemos o que muitos estudiosos t√™m classificado como a era do individualismo. E assim como a pequena corrup√ß√£o parece ser tolerada pela grande maioria, condutas individualistas tamb√©m t√™m sido encaradas como naturais. Mas no final do processo, o efeito nocivo dessas pr√°ticas, em menor ou maior escala, √© muito semelhante, sobretudo quando s√£o capazes de envolver e atingir todos os brasileiros. As corrup√ß√Ķes, em suas diversas formas, se retroalimentam. Da mesma maneira, os governantes populistas, os pol√≠ticos corruptos e os empres√°rios inescrupulosos s√£o sustentados uns pelos outros e amparados tamb√©m por aqueles eleitores que colocam os seus interesses particulares acima dos interesses da maioria. √Č preciso pensar diferente. √Č preciso mudar. 
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