Dando Risadas
Nena Medeiros
A diferença
Reconheço meu pesar // Quando tudo é traição, // O que venho encontrar // É a virtude em outras mãos. Legião Urbana
30/06/2017
Tarde da noite, Ezequiel no escritório e a diferença nas contas seguia inexplicável. Isto é, havia uma explicação: alguém desviava dinheiro há algumas semanas.
Mas, quem? Somente Albano, o dono da empresa possuía acesso à conta e não fazia muito sentido que ele roubasse a si mesmo. Muito menos, somas tão ridículas. E ele seguia ali, escravizado, à procura de algum erro de arredondamento do sistema ou de lançamento.
Enquanto o rapaz fazia e refazia cálculos, Albano aproveitava sua ausência junto à bela senhora Ezequiel. Um tanto insegura, foi fácil convencê-la de que o marido inventava as tais horas extras para encontrar-se com outra e merecia uma vingança à altura.
Seu plano corria bem, até que, no sábado de madrugada, quando Ezequiel retornava de mais um serão, cansado e frustrado com o mistério em sua contabilidade, ela despejou-lhe na cara tudo o que estava acontecendo. Acusou-o de traição e esfregou-lhe na cara a sua também condição de corno.
Ele, aturdido, balbuciava:
- Eu? Não! Nunca! Você? Com quem?
E ela, mais do que depressa, entregou-lhe o nome do santo.
Ezequiel entendeu tudo. As diferenças eram deliberadamente provocadas pelo patrão, para obrigá-lo às jornadas extraordinárias!
Livre daquele peso, o homem sorriu largo, deixou a mulher falando sozinha e foi para o quarto. Depois trataria de tudo.
Agora, só queria dormir, na paz de saber que, horas extras, nunca mais!

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