LBV
Paiva Netto
Crime do desperdĂ­cio
01/08/2017
Urge impedir o desperdício. É providência sensata, humanitária, em todas as áreas e das mais diferentes classes sociais. É um crime, por exemplo, deixar estragar alimentos, quando milhões de pessoas ainda passam fome.

O dr. Alan Bojanic chamou a atenção para esse fato em entrevista ao programa Biosfera, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 â€” e Net Brasil/Claro TV — Canal 196). Engenheiro agrĂ´nomo boliviano, ele Ă© representante da FAO no Brasil:

“A FAO fez um estudo amplo para ver a porcentagem de perdas de alimentos no mundo. Temos uma cifra que é muito — vamos dizer — dolorosa! Depois que o produto é coletado, até chegar ao consumidor, e mesmo na casa dos consumidores, temos perdas muito altas. É quase um terço de toda a produção mundial que vai — se pode dizer — para o lixo. Uma produção muito importante, que tem implicações de todo tipo, em primeiro lugar, humanitárias, porque é comida que poderia ser dada para muitas pessoas carentes. É um absurdo ambiental, pois muita energia foi gasta na produção. E também tem a ver com a ineficiência econômica. Então, é um absurdo humanitário, ambiental e econômico-financeiro”.

Em O Capital de Deus, livro que estou preparando, comento uma passagem evangĂ©lica, que nos traz instrutiva lição.

Conhecedor dos Soberanos Estatutos da Economia de Deus, ainda ignorados pelos seres humanos, Jesus, o Cristo EcumĂŞnico, o Divino Estadista, pĂ´de realizar o milagre da multiplicação de peixes e pĂŁes, conforme o relato de Mateus, 14:13 a 21.

  A Primeira Multiplicação de PĂŁes e Peixes

“13 Jesus, ouvindo que JoĂŁo Batista fora decapitado por ordem de Herodes, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, Ă  parte. Sabendo disso, as massas populares vieram das cidades, seguindo-O por terra.

“14 Desembarcando, Ele viu uma grande multidão. Compadeceu-se dela e curou os seus enfermos.

“15 Ao cair da tarde, aproximando-se Dele, os discípulos Lhe disseram: Senhor, o lugar é deserto, e vai adiantada a hora. Despede, pois, esse povo para que, indo pelas aldeias, compre para si o que comer.

“16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, o alimento.

“17 Ao que Lhe responderam: Senhor, não temos aqui senão cinco pães e dois peixinhos!

“18 Então, o Mestre ordenou-lhes: Trazei-os a mim.

“19 E, tendo mandado que todos se assentassem sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixinhos, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, havendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões.

“20 Todos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos repletos.

“21 E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças”.

 

AlĂ©m disso, nĂŁo nos esqueçamos do que o Divino Benfeitor nos ensinou a respeito da capacidade pessoal de cada ser humano, ao dizer: â€śVĂłs sois deuses. Eu voltarei ao Pai, vĂłs ficareis aqui na Terra, portanto, podereis fazer muito mais do que Eu” (Evangelho, segundo JoĂŁo, 10:34 e 14:12).

 

A quem, talvez por Ăłcio, analisando o trecho anterior, argumentasse que Jesus Ă© um caso especial e, por isso, nĂŁo há parâmetros para se comparar a nossa competĂŞncia Ă  Dele, divinamente superior, poderĂ­amos considerar que nĂŁo seria necessário subirmos a tamanha grandeza, bastando que os que tĂŞm posses deixassem de desperdiçar tanto. Seria um passo. Sim, mas um passo considerável. Como observou ConfĂşcio (551-479 a.C.): â€śTransportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”.

Destaquemos que, no versĂ­culo 20 do capĂ­tulo 14, o Evangelista Mateus revela: â€śTodos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos repletos”.

Quer dizer, não jogaram fora o que lhes sobejou. As apreciáveis porções haveriam de, em nova oportunidade, beneficiar aquela gente ou outra. Costumo dizer que a migalha de hoje é a farta refeição de amanhã. Reflitamos sobre isso.

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