Fifa confirma que ampliou suspens√£o de Del Nero para investig√°-lo por mais tempo
Jamil Chade
Genebra
14/03/2018 11h48
A Fifa ampliou a suspensão de Marco Polo Del Nero do futebol por mais 45 dias, enquanto abre mais um procedimento contra o dirigente, num sinal claro de que caminha para uma punição ao dirigente que se viu obrigado a deixar a presidência da CBF.

Ele j√° havia sido suspenso em dezembro por tr√™s meses, enquanto a Fifa prosseguia com as investiga√ß√Ķes sobre o brasileiro. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, a entidade apontou que o seu Comit√™ de √Čtica indicou que, durante o novo per√≠odo de suspens√£o, Del Nero continua sendo impedido de manter "qualquer tipo de atividades relacionadas com o futebol, tanto dom√©stico como internacional".

Os 45 dias come√ßam a vigorar a partir de quinta-feira, dia 15 de mar√ßo. Na pr√°tica, a Fifa ter√° at√© o final de abril para tomar uma decis√£o. A amplia√ß√£o do prazo foi decidida "a pedido da chefia das investiga√ß√Ķes do Comit√™ de √Čtica". No fundo, a entidade quer mais tempo para julgar as informa√ß√Ķes j√° recebidas.

Mas a entidade indicou também que seus órgãos de julgamento também optaram por abrir um processo formal. Até o final de abril, portanto, ele pode ser punido de forma definitiva, com multa e suspensão, ou simplesmente inocentado.

O Estado apurou que a investigação concluiu seu informe e o repassou para que Del Nero seja julgado. Agora, os órgãos da Fifa vão finalmente julgar o mérito da causa.

Del Nero ainda pode levar o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) se for finalmente condenado, assim como fizeram Joseph Blatter, Michel Platini e Jerome Valcke. Todos, porém, foram derrotados ao acionarem o máximo tribunal esportivo mundial.

Mesmo com a extens√£o da suspens√£o provis√≥ria, Del Nero manobrou as elei√ß√Ķes na CBF para que seus aliados se mantivessem no poder. A mesma estrat√©gia j√° havia sido adotada por Ricardo Teixeira, quando deixou o comando da entidade brasileira em 2012 e escolheu a dedo os seus sucessores.

Del Nero foi indiciado nos Estados Unidos ainda em 2015 por corrup√ß√£o e crime organizado. Mas se manteve no comando da CBF, evitando viajar ao exterior para n√£o ser preso e extraditado aos EUA. Durante o julgamento de Jos√© Maria Marin em dezembro de 2017, Del Nero foi acusado de ter recebido US$ 6,5 milh√Ķes (cerca de R$ 21,1 milh√Ķes pela cota√ß√£o atual) em propinas, em troca de contratos comerciais com a CBF.

A Fifa, durante dois anos, n√£o agiu em rela√ß√£o a Del Nero, alegando que n√£o tinha provas suficientes para o punir. Mas o brasileiro acabou suspenso temporariamente em dezembro, quando os documentos do FBI foram tornados p√ļblicos. Desde ent√£o, a entidade passou a investigar o cartola e agora chegou √† constata√ß√£o, √†s v√©speras do final do prazo de suspens√£o, de que precisa continuar a apura√ß√£o.

Isso significa que ele não pode nem entrar na CBF para eventos sociais, não pode presidir clubes de futebol e nem fazer parte de organização de torneios por mais 45 dias.

Del Nero chegou a ser interrogado pela Fifa, por meio de uma vídeo conferência. Cada um dos detalhes apresentados na corte norte-americana contra Del Nero foi questionado, entre eles os acordos com José Maria Marin para repartir o dinheiro. Numa das evidências, os investigadores apontaram como Del Nero herdou a propina que, até 2012, era paga a Ricardo Teixeira. Porém, o montante de US$ 600 mil foi aumentado para um total de US$ 1,2 milhão.

Entre outros argumentos, Del Nero alegou que não esteve na reunião no Paraguai citada por testemunhas em que subornos foram supostamente negociados em relação a contratos de TV para torneios sul-americanos.

Em Nova York, durante o julgamento de dirigentes de peso do futebol em dezembro, o empresário argentino Alejandro Burzaco revelou na condição de testemunha que foi em outubro de 2014 ao Paraguai. La, negociou propinas com Del Nero e com o ex-presidente da Conmebol Juan Napout.

Mas, na esperança de reverter a decisão, Del Nero tentou provar com documentos de imigração que não viajou ao Paraguai para o suposto encontro citado por Burzaco, chefe de uma das empresas que pagava a propina em troca de contratos de TV.

AE
Comentários

Carregando notícias...
COPYRIGHT © - PORTAL ALÔ - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
ANUNCIE | FALE CONOSCO | COMERCIAL | EXPEDIENTE | TRABALHE CONOSCO