Regras do Profut esfriam mercado e clubes contratam pouco neste início de ano
Marcio Dolzan
Rio
14/01/2018 08h55
A movimenta√ß√£o t√≠mida nas contrata√ß√Ķes no in√≠cio de temporada passa pelas dificuldades financeiras dos clubes brasileiros e um temor: o risco de exclus√£o do Profut, programa de refinanciamento das d√≠vidas criado em 2015. Quase todos os clubes da S√©rie A aderiram, sendo que o programa prev√™ a exclus√£o do time e a execu√ß√£o imediata das d√≠vidas com o atraso das parcelas por tr√™s meses seguidos ou a antecipa√ß√£o de receitas acima do permitido.

Ao todo, 137 clubes do Pa√≠s entraram no programa, mas cerca de 10% j√° o deixaram por dificuldades em cumprir as regras ou por decis√£o pr√≥pria. A Autoridade P√ļblica de Governan√ßa do Futebol (Apfut), autarquia respons√°vel por fiscalizar as agremia√ß√Ķes, mant√©m em sigilo a situa√ß√£o de cada um, informando apenas que Palmeiras e Chapecoense s√£o os times da S√©rie A que n√£o integram o Profut.

O programa prevê uma série de regras. A possibilidade de exclusão imediata após atraso no pagamento de três parcelas é a que mais preocupa. Além de colocar o clube sob risco de ter suas dívidas executadas imediatamente, o programa coloca na mira da Justiça também seus dirigentes. Pelo menos um presidente de clube já teve bens bloqueados por causa disso.

Ningu√©m admite publicamente, mas a falta de contrata√ß√Ķes neste ano e a dispensa de alguns jogadores t√™m liga√ß√£o direta com os compromissos com o Profut. E a temporada que come√ßa agora √© especialmente representativa porque a previs√£o de receitas dos clubes √© mais realista. "(No balan√ßo de) 2015 voc√™ teve a quest√£o da implanta√ß√£o do Profut, em 2016 das luvas (pela assinatura de novos contratos de TV). Em 2017, de repente, a gente vai ter a real amplitude de como est√° a sa√ļde financeira de cada clube", disse ao jornal O Estado de S.Paulo o presidente da Apfut, Luiz Andr√© Mello.

"A lei não diz, mas a gente pediu que os clubes começassem a enviar seus orçamentos. Alguns fizeram isso (orçamento) pela primeira vez", destacou Luiz André Mello. "Desde junho a gente tem feito controles trimestrais. A gente vê o orçamento previsto, as receitas previstas. Se ele estivesse muito longe, a gente já chamava as entidades para conversar".

A Apfut trabalha com uma estrutura enxuta. A autarquia ocupa uma sala na Arena Carioca 1, no Parque Ol√≠mpico da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e re√ļne cinco pessoas. T√©cnicos da Procuradoria Nacional da Fazenda, da Receita Federal, do Banco Central e da Caixa cruzam as informa√ß√Ķes fornecidas pelos clubes e, a partir disso, a entidade tem um retrato mais fiel da situa√ß√£o financeira de cada um.

Pr√°ticas que eram comuns para inflar or√ßamentos est√£o sendo revistas. "Muitos clubes falavam ‚Äėah, a gente vai vender jogador‚Äô. S√£o tr√™s grandes √°reas. Primeiro √© a venda de jogador, que pode ser um ou podem ser 100. Depois tem o patroc√≠nio, e agora a premia√ß√£o. Os clubes costumam ser mais livres (nesses quesitos), e a gente procura traz√™-los para uma quest√£o mais realista", explicou.

Luiz Andr√© Mello contou que, ap√≥s encerrada a janela de transfer√™ncias de agosto do ano passado, a Apfut analisou o balan√ßo trimestral dos clubes e advertiu alguns deles, j√° que a arrecada√ß√£o n√£o bateu com o que os dirigentes esperavam. "Hoje, falando com os clubes, eu percebo que eles entenderam a real import√Ęncia disso".

No momento de sua cria√ß√£o, o Profut recebeu forte resist√™ncia de cartolas porque, entre outras coisas, exigia a apresenta√ß√£o de uma Certid√£o Negativa de D√©bitos (CND) para que o clube pudesse disputar competi√ß√Ķes ou evitar de ser rebaixado por falta de pagamentos. A exig√™ncia foi derrubada no ano passado por liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

"A decis√£o do ministro n√£o impacta em nada nosso dia a dia. A gente continua fiscalizando. O √ļnico ponto alterado pela decis√£o foi em rela√ß√£o ao artigo 10 do Estatuto do Torcedor, que √© outro ponto", afirmou Mello. O artigo citado trata dos crit√©rios utilizados para a participa√ß√£o de clubes em competi√ß√Ķes. "A Apfut n√£o tem poder de rebaixar, porque ela n√£o organiza qualquer tipo de competi√ß√£o. Quem organiza √© a CBF, federa√ß√Ķes e afins".

AE
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