Ricciardo vê temporada 'maluca' e aposta em cervejaria para ter distração na F-1
Felipe Rosa Mendes
S√£o Paulo
08/11/2018 19h04
Famoso por ser o piloto mais simp√°tico do grid atual da F√≥rmula 1, Daniel Ricciardo teve poucos motivos para sorrir neste ano. Sofreu com problemas mec√Ęnicos nas pistas, que lhe renderam oito abandonos em 19 provas j√° disputadas, foi superado com frequ√™ncia em treinos e corridas pelo companheiro de Red Bull, Max Verstappen, e tomou a decis√£o de deixar o time austr√≠aco para defender em 2019 a Renault, considerada por muitos como inferior a sua atual equipe.

Nada disso, por√©m, tira o bom humor do australiano, que tenta diversificar seus interesses para aliviar a "press√£o mental" sofrida ao longo do ano. "Foi a minha temporada mais dif√≠cil na F-1", admitiu o piloto de 29 anos, em entrevista exclusiva ao Estado. "Foi dif√≠cil mais pelo lado mental. Eu cometi erros, mas a maior parte dos problemas veio da parte mec√Ęnica do carro. Eu preferiria que fossem erros meus porque poderia aprender com eles. Quando as falhas n√£o s√£o suas, √© mais duro mentalmente porque voc√™ precisa continuar a fazer as coisas do mesmo jeito."

Na avalia√ß√£o de Ricciardo, a sua oitava temporada na F-1 foi "maluca". "Comecei bem o campeonato, com duas vit√≥rias em seis corridas. Vencer em M√īnaco foi muito importante para a minha carreira. Mas, desde ent√£o, n√£o consegui mais subir ao p√≥dio. Foi muito azar. √Č um ano muito desafiador", afirmou.

Mas ele se mantém otimista mesmo vindo de dois abandonos seguidos, nos Estados Unidos e no México. "Com certeza, fiquei irritado quando erros aconteceram. Mas normalmente eu percebo horas depois, ou na manhã seguida, que a vida é muito boa. Apenas tento ser grato a tudo", diz o piloto, que admitiu ter exercitado bastante a paciência neste ano. "Eu tenho muita paciência, às vezes até demais", afirmou, entre risos.

E o australiano n√£o disfar√ßa o clima de despedida na Red Bull, que ainda defender√° no GP do Brasil, em Interlagos, neste fim de semana, e em Abu Dabi, no fim do m√™s. "Vou levar comigo muitas boas mem√≥rias. Aprendi muito com a equipe, como as coisas funcionam, e tamb√©m o lado dos neg√≥cios e do marketing, o engajamento com o p√ļblico", disse Ricciardo, justamente durante um dos eventos de marketing do time austr√≠aco, em S√£o Paulo.

Em quadra localizada numa pra√ßa na zona oeste da capital, ele e Verstappen se divertiram batendo bola na companhia de duas jogadoras do Santos, Ketlen e Kelly, e dois especialistas em futebol freestyle. Ricciardo mostrou menos intimidade com a bola do que o piloto holand√™s. "Gosto mais de jogar futebol no videogame, √†s vezes com o Felipe Massa", diz, referindo-se ao seu vizinho em Montecarlo. "Eu o venci da √ļltima vez, ele n√£o ficou muito feliz", gargalhou.

Sem maior sucesso no futebol, o australiano se diz mais f√£ de t√™nis e de MMA. "Sou obcecado por UFC", revelou Ricciardo, ao apontar um brasileiro como um dos seus lutadores favoritos. "√Č o Paulo Costa [mais conhecido como Paulo Borrachinha]. Ele √© muito bom, est√° invicto at√© agora."

Fora das pistas, Ricciardo est√° investindo o seu tempo em duas frentes distintas: uma competi√ß√£o de kart para crian√ßas de baixa condi√ß√£o econ√īmica, na Inglaterra, e uma cervejaria especializada em bebida artesanal. "Eu estou no automobilismo h√° 20 anos. E aprendi neste esporte que √© muito importante ter outros interesses, como faz Lewis (Hamilton). Se voc√™ pensa em automobilismo todos os dias, durante o ano inteiro, voc√™ fica esgotado. √Č imposs√≠vel", afirmou. "Ent√£o, voc√™ precisa de outros interesses e a cervejaria foi algo que me pareceu muito legal."

O australiano √© s√≥cio do brit√Ęnico Jenson Button, campe√£o mundial da F-1 em 2009, na cervejaria. "Gostamos de cerveja e decidimos criar uma que as pessoas gostem, de diferentes esta√ß√Ķes, porque se trata de uma craft beer (cerveja artesanal), tem uma de inverno, outra de ver√£o. √Č algo novo que estamos tentando, mas √© claro que, se for bem-sucedido, vamos fazer dinheiro. Ao mesmo tempo, √© algo para manter a mente longe do automobilismo", comentou o piloto, acostumado a celebrar suas vit√≥rias ao fazer de sua bota uma caneca para beber o champagne no p√≥dio.

Novo "empresário" do ramo, o australiano já provou marcas brasileiras. Sem lembrar do nome delas, pediu ajuda à reportagem. E não escondeu a empolgação pela chance de "conhecer melhor o mercado" do Brasil. Fez questão de agradecer a "ajuda" com um "obrigado", em bom português, sem perder seu sotaque australiano.

AE
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