Acusado de provocar acidente que matou comiss√°rio deixa cadeia
Felipe Resk
S√£o Paulo
17/07/2017 12h24
O advogado Artur Falc√£o Sfoggia, de 33 anos, acusado de ser respons√°vel pelo acidente que matou o comiss√°rio de bordo Alexandre Stoian, de 43, na Avenida dos Bandeirantes, na zona sul de S√£o Paulo, foi solto no s√°bado, 15, ap√≥s pagar fian√ßa de R$ 9.370. Autuado em flagrante, o suspeito passou uma noite na carceragem do 31¬ļ Distrito Policial (Vila Carr√£o), na zona leste, antes de receber liberdade provis√≥ria no plant√£o judici√°rio do Tribunal de Justi√ßa de S√£o Paulo (TJ-SP).

No despacho, o juiz Claudio Juliano Filho considerou que Sfoggia não apresenta antecedentes criminais, tem endereço fixo e que há "necessidade de maior instrução probatória acerca do desvalor da conduta". Ele vai responder em liberdade por homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de matar) e lesão corporal contra a mulher de Stoian, que ficou ferida no acidente.

O juiz também decidiu aplicar medidas cautelares, que são alternativas à prisão. Além da fiança, que foi arbitrada em dez salários mínimos, Sfoggia terá de comparecer mensalmente em juízo e está proibido de sair de casa à noite, no horário entre 22 horas e 6 horas.

"Apesar da gravidade da conduta e principalmente do resultado, entendo n√£o estarem presentes os requisitos para a pris√£o preventiva", afirma decis√£o de Juliano Filho. "Isso porque (...) n√£o se evidencia grande periculosidade do averiguado, n√£o sendo prov√°vel que volte a deliquir."

Para o advogado de defesa, Dhyego Lima, a Justi√ßa considerou que Sfoggia n√£o se omitiu de prestar socorro √† v√≠tima, nem fugiu do local do crime. "Ele sofreu queimaduras de 2.¬ļ e de 3.¬ļ grau tentando ajudar, mas depois ficou com medo de ser v√≠tima de um linchamento", disse. "Por minha orienta√ß√£o, ele foi para o apartamento e ficou me esperando para ser apresentado na delegacia dentro do prazo legal de 24 horas."

Caso

Segundo a Polícia Civil, Sfoggia dirigia seu Volkswagen Jetta a mais de 100 km/h - o dobro do limite de velocidade na Bandeirantes, que é de 50 km/h - quando colidiu na traseira de um Peugeot 207 HB, onde estavam Stoian e a mulher. Após girar na pista e parar cerca de 25 metros adiante, o carro das vítimas pegou fogo e o comissário de bordo morreu carbonizado.

O acidente aconteceu por volta das 3h45. No ve√≠culo do advogado, a per√≠cia encontrou por√ß√Ķes de maconha e crack, al√©m de uma lata de cerveja amassada, segundo a Pol√≠cia Civil. O suspeito havia sa√≠do de uma balada sertaneja e estava na companhia do primo, um empres√°rio de 35 anos.

Em uma primeira vers√£o no 96¬ļ DP (Cidade Mon√ß√Ķes), Sfoggia disse que levava o primo, morador de Chapec√≥, em Santa Catarina, para o aeroporto, mas sofreu uma tentativa de assalto e tentou fugir. Os policiais, no entanto, encontraram no ve√≠culo um cart√£o de estacionamento da boate e levantou pagamentos feitos na casa noturna durante a madrugada.

Confrontado, o advogado teria mudado a vers√£o, admitindo que ficou na festa entre meia-noite e 3 horas, e depois parou para comer em uma lanchonete. Quando voltava para casa, teria percebido que estava sendo perseguido e acelerou.

Para os investigadores, o depoimento n√£o √© 100% verdadeiro. "A dist√Ęncia entre o ponto do acidente e o que ele disse estar sendo seguido √© de um quil√īmetro, mais ou menos", disse o delegado Anderson Pires Giampaoli, titular do 96¬ļ DP.

Segundo o delegado, Sfoggia admitiu que ingeriu bebida alcoólica e que faz uso de remédio para depressão. O suspeito se negou a fazer exame de sangue, mas foi submetido a exame clínico, cujo laudo vai avaliar também se houve uso de entorpecente.

A Pol√≠cia Civil tamb√©m investiga se Sfoggia participava de um racha na hora do acidente. Segundo testemunhas, o advogado teria fugido do local com aux√≠lio de um terceiro carro. "√Č poss√≠vel que o racha reste configurado no curso da investiga√ß√£o", disse o delegado.

AE
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