Alta do dólar pesa no bolso e exige mais planejamento
Jéssica Alves
S√£o Paulo
16/04/2018 13h02
Quem est√° acompanhando o d√≥lar porque vai viajar nas f√©rias ou tem um interc√Ęmbio no horizonte certamente tomou um susto na √ļltima semana ao ver a moeda bater a cota√ß√£o mais alta dos √ļltimos 16 meses, aos R$ 3,42. S√≥ nestes quatro meses do ano, o d√≥lar comercial j√° subiu 7%. Apesar do cen√°rio ser imprevis√≠vel, especialistas apontam que o d√≥lar deve continuar em trajet√≥ria de alta, o que exige do consumidor poupar nos detalhes. Diante dessa nova perspectiva, "esperar baixar" pode custar caro.

A cota√ß√£o do d√≥lar turismo, mais caro que o comercial, passou de R$ 3,38 em janeiro para um valor pr√≥ximo de R$ 3,55 na √ļltima sexta-feira - isso sem considerar o Imposto sobre Opera√ß√Ķes Financeiras (IOF), de 1,1%.

Assim, uma família que pensa em ir para a Disney em junho, por exemplo, e deixou para comprar US$ 5 mil na sexta-feira, chegou a pagar R$ 800 a mais pela mesma quantia do que se tivesse comprado em janeiro.

No in√≠cio do ano, era preciso desembolsar R$ 16,935 mil. J√° de acordo com a √ļltima cota√ß√£o, desembolsaria R$ 17,780 mil. Com a diferen√ßa, daria para comprar cinco perfumes importados, um modelo singelo do fone de ouvido Beats ou ent√£o sete das bonecas fen√īmeno do momento, LOL.

Se n√£o foi poss√≠vel se planejar com anteced√™ncia, ao menos pesquisar pre√ßos pode ajudar com alguma economia. Dados da plataforma Meu C√Ęmbio mostram que a diferen√ßa de valor entre as casas de c√Ęmbio pode chegar a 29%.

Al√©m da pesquisa pelas casas de c√Ęmbio, vale tamb√©m pesquisar por lugares diferentes, aconselha o diretor de estrat√©gia e inova√ß√£o da Meu C√Ęmbio, Mathias Fischer. Uma pessoa que sai de Fortaleza e vai passar por Guarulhos antes de viajar pode economizar at√© 2,5% se optar por comprar d√≥lar em S√£o Paulo.

De acordo com a cotação da plataforma, US$ 1 mil em Fortaleza (CE) sai em torno de R$ 3,646, enquanto que em Guarulhos fica cerca de R$ 3,556.

Os fatores que afetam a composição de preço são custos logísticos, de importação e gastos internos de atendimento das próprias corretoras, além da demanda. Em períodos de férias, esses custos podem ficar ainda mais altos.

O superintendente de varejo do Grupo Confidence, Juvenal dos Santos, aconselha os viajantes a planejar e acompanhar o mercado de c√Ęmbio com um prazo de tr√™s meses antes do embarque, sobretudo em per√≠odos de mais volatilidade na moeda. Assim, a pessoa comprar√° moeda com cota√ß√Ķes ao longo do tempo e no fim do per√≠odo ter√° um valor m√©dio da compra - nem muito alto e nem muito baixo.

Este ano, caso já tenha algum recurso, o indicado é já ir poupando em moeda estrangeira, mesmo que seja de pouquinho em pouquinho. Para quem tem medo de deixar dólar guardado em casa, ele aconselha fazer a poupança no cartão pré-pago.

Expectativa

Quem viu a moeda americana oscilar entre R$ 3,20 e R$ 3,30 no ano passado, agora ver√° num degrau acima - entre R$ 3,30 e R$ 3,40, aponta o economista da Guide Investimentos, Ignacio Crespo. Na √ļltima sexta-feira, o d√≥lar √† vista voltou a fechar em alta, cotado cerca de R$ 3,40. A moeda encerrou o dia cotado a R$ 3,4263, com valoriza√ß√£o de 0,49%, na maior cota√ß√£o desde 2 de dezembro de 2016.

Crespo explica que a proximidade de uma eleição com candidatos mais incertos do que em anos anteriores e o cenário externo apreensivo - com o embate entre Estados Unidos e China e a ofensiva americana na Síria -, deixam o mercado mais apreensivo.

A aposta mais certeira para o economista da Guide √© que o d√≥lar n√£o deva voltar ao patamar visto no m√™s de janeiro t√£o cedo. As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
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