Anistia quer comissão independente para investigar execução de Marielle
Roberta Jansen
Rio
12/07/2018 11h38
Diante da falta de solu√ß√£o e de informa√ß√Ķes sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes, a Anistia Internacional reivindica um mecanismo externo e independente para monitorar as investiga√ß√Ķes. "Ap√≥s quatro meses sem solu√ß√£o, a credibilidade do sistema de Justi√ßa criminal est√° em xeque", afirmou a diretora de pesquisa da entidade, Renata Neder. "Est√° claro que as institui√ß√Ķes n√£o t√™m credibilidade, efic√°cia, compet√™ncia ou vontade de resolver o caso", afirmou.

Segundo a ONG, v√°rias informa√ß√Ķes graves divulgadas pela imprensa seguem sem nenhum tipo de esclarecimento pelas autoridades: "que a muni√ß√£o utilizada pertenceria a um lote que teria sido vendido √† Pol√≠cia Federal; que a arma empregada seria uma submetralhadora de uso restrito das for√ßas de seguran√ßa; que submetralhadoras do mesmo modelo teriam desaparecido do arsenal da Pol√≠cia Civil; que c√Ęmeras de v√≠deo no local do assassinato teriam sido desligadas na v√©spera do crime."

Al√©m disso, "a din√Ęmica da execu√ß√£o e a precis√£o dos tiros sugerem a participa√ß√£o de pessoas com treinamento espec√≠fico e qualificado", segundo a nota da Anistia. "O sil√™ncio e a confidencialidade que t√™m como objetivo garantir a efic√°cia da investiga√ß√£o n√£o podem ser confundidos com o sil√™ncio das autoridades diante da obriga√ß√£o de esclarecer corretamente a execu√ß√£o de Marielle", afirmou a diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck.

Renata Neder explicou que, embora a C√Ęmara dos Deputados tenha criado uma comiss√£o de acompanhamento das investiga√ß√Ķes e essa iniciativa seja positiva, o que a Anistia est√° propondo √© uma comiss√£o independente, que n√£o fa√ßa parte do aparato estatal.

"N√£o estamos propondo um modelo espec√≠fico (de comiss√£o); existem diferentes modelos e formatos", explicou Renata. Ela citou como exemplo o grupo criado pela Comiss√£o Interamericana de Direitos Humanos na Nicar√°gua para investigar execu√ß√Ķes por parte das for√ßas do Estado em protestos civis. Outro exemplo √© o grupo criado em Honduras para acompanhar as investiga√ß√Ķes sobre o assassinato de Berta C√°ceres, l√≠der ind√≠gena e ativista ambiental.

"O essencial é que seja um grupo independente, em que não haja conflito de interesses, e formado por especialistas da área, como peritos e juristas", explicou Renata.

"A não solução do caso demonstra de forma inconteste a falta de compromisso do Estado brasileiro com seus defensores e defensoras de direitos humanos. Em vida, Marielle sempre se mobilizou por justiça e contra a violência do Estado. Pressionar pela resolução deste crime é manter viva sua luta por direitos, seu legado e sua memória", concluiu Jurema Werneck.

Poder p√ļblico

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil limitou-se a dizer que "o caso segue sob sigilo". Consultadas, a Secretaria de Estado de Segurança e o Gabinete da Intervenção Federal no Rio não responderam aos questionamentos.

AE
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