Bancoop, do triplex do Guaruj√°, diz que 'cumpriu objetivo' e prop√Ķe dissolu√ß√£o
Julia Affonso e Fausto Macedo
11/07/2018 21h42
A Cooperativa Habitacional dos Banc√°rios (Bancoop) convocou nesta ter√ßa-feira, 10, uma Assembleia Geral para discutir proposta de dissolu√ß√£o da associa√ß√£o. A Bancoop controlou o empreendimento onde est√° localizado o triplex do Condom√≠nio Solaris, no Guaruj√°, litoral paulista - piv√ī da condena√ß√£o e da pris√£o do ex-presidente Luiz In√°cio Lula da Silva.

O Solaris foi da Bancoop até 2009. Naquele ano, em dificuldade financeira, a cooperativa repassou este e outros empreendimentos para a OAS.

Criada em 1996, a cooperativa foi fundada por militantes do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A Bancoop foi presidida pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto entre 2005 e 2010 - o petista está preso na Operação Lava Jato desde abril de 2015. Segundo a balanço da associação, foram concluídos 25 empreendimentos e 5.698 unidades habitacionais.

A assembleia da Bancoop está marcada para 31 de julho. A dissolução da cooperativa é o quarto item da ordem do dia.

"IV - deliberar sobre a dissolu√ß√£o da Cooperativa, nos termos do Cap√≠tulo VII de seu Estatuto Social e nos termos dos artigos 63, 65 e seguintes da Lei Federal n¬ļ 5.764/71, em conformidade com a 'Proposta de Dissolu√ß√£o Volunt√°ria' elaborada pela Diretoria da Cooperativa, contendo, inclusive, prazo de liquida√ß√£o de seis meses, podendo ser prorrogado na assembleia seguinte, e a n√£o remunera√ß√£o do liquidante e do conselho fiscal", afirma o diretor-presidente da Bancoop Antonio Sergio Ferreira Godinho.

A proposta de dissolução foi publicada no Balanço Social 2017. No documento, a cooperativa afirma a seus associados que cabe a eles "deliberar pela dissolução, nomear um liquidante e um Conselho Fiscal para tocar o processo".

No balan√ßo, a cooperativa resumiu a hist√≥ria da Bancoop ano a ano. Em 2010, a cooperativa cita "audi√™ncias p√ļblicas no Senado e na C√Ęmara dos Deputados e uma CPI na Assembleia Legislativa de S√£o Paulo".

"Promotor de Justi√ßa criminal continua adotando postura pol√≠tica para as investiga√ß√Ķes. Sem ouvir nenhum representante legal da Bancoop, formaliza den√ļncia √† Justi√ßa, somente com base em testemunhos", informa o documento.

Sobre o ano de 2017, o balan√ßo relata que "ex-diretores da Bancoop s√£o absolvidos de acusa√ß√£o movida pelo promotor Jos√© Carlos Blat em den√ļncia que havia sido apresentada em 2010 e corria na 5¬™ Vara Criminal de S√£o Paulo".

No documento, a Bancoop cita ainda o ex-presidente Lula e uma den√ļncia do Minist√©rio P√ļblico de S√£o Paulo, em 2016, no caso triplex.

"A Justi√ßa de S√£o Paulo remeteu a den√ļncia para julgamento em Curitiba, no √Ęmbito da Opera√ß√£o Lava Jato. O juiz S√©rgio Moro, respons√°vel pelo julgamento em Curitiba, acolheu somente a parte referente ao ex-presidente Lula e remeteu o processo de volta para S√£o Paulo", registra a cooperativa.

Defesa

COM a palavra, Pedro Dallari, advogado da Bancoop

"√Č um processo natural, porque como a Cooperativa encerrou suas atividades n√£o tem mais sentido ter continuidade. Pela Lei das Cooperativas, encerradas as atividades (a Cooperativa) tem que ser dissolvida.

A partir da√≠ ser√° feita uma apura√ß√£o minuciosa de todas as obriga√ß√Ķes e direitos remanescentes para, depois, ser liquidada.

A dissolu√ß√£o √© um passo natural, porque encerrou as atividades. Ent√£o, se dissolve e a√≠ o que se faz √© apurar os bens e as obriga√ß√Ķes. S√≥ pode ser liquidada depois de toda a quita√ß√£o de todas as obriga√ß√Ķes e realiza√ß√£o dos direitos. Isso pode levar at√© alguns anos.

A dissolução é uma etapa natural."

AE
Comentários

Carregando notícias...
COPYRIGHT © - PORTAL ALÔ - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
ANUNCIE | FALE CONOSCO | COMERCIAL | EXPEDIENTE | TRABALHE CONOSCO