Bretas condena Cavendish e mais 14 da Operação Saqueador
Constança Rezende, Roberta Jansen, Luiz Vassallo e Fausto Macedo
Rio e SĂŁo Paulo
13/06/2018 21h28
O juiz federal Marcelo Bretas condenou 15 pessoas, entre elas Fernando Cavendish, da Delta Engenharia, e o contraventor Carlinhos Cachoeira, e o doleiro e delator Adir Assad, por lavagem de dinheiro e associação criminosa no Ăąmbito de supostos desvios de R$ 370 milhĂ”es de contratos com o governo estadual do Rio na gestĂŁo SĂ©rgio Cabral (MDB). A denĂșncia foi oferecida no Ăąmbito da Operação Saqueador, desdobramento da Lava Jato no Rio.

Segundo a denĂșncia, "para desviar aproximadamente 370 milhĂ”es de reais dos cofres pĂșblicos Ă  Ă©poca dos fatos, a DELTA utilizou 18 empresas de fachada e firmou diversos contratos fraudulentos, que nĂŁo apresentaram qualquer causa econĂŽmica ou ligação direta com as obras efetivadas".

O magistrado atribui a Cavendish o papel de "principal idealizador dos esquemas ilĂ­citos perscrutados" e "beneficiĂĄrio das prĂĄticas de lavagem de dinheiro imputadas".

"A quadrilha liderada por FERNANDO CAVENDISH utilizava a DELTA CONSTRUÇÕES S/A como um instrumento para encobrir as açÔes criminosas de seus membros e funcionĂĄrios, acompanhado de diretores regionais da empresa e funcionĂĄrios da ĂĄrea administrativa e financeira, transferindo vultosos recursos a empresas "fantasmas", como forma de dissimular o desvio de recursos pĂșblicos e o consequente pagamento de propinas a agentes estatais", anotou.

DenĂșncia

Segundo a denĂșncia, o inquĂ©rito da Saqueador foi instaurado a partir de desdobramentos das OperaçÔes Vegas e Monte Carlo. Nessas operaçÔes foram investigados os esquemas de direcionamento de emendas orçamentĂĄrias ao municĂ­pio de SeropĂ©dica (RJ), a manipulação de convĂȘnios e as fraudes Ă s licitaçÔes, segundo destacam os investigadores.

Na operação Monte Carlo foi identificado que grande parte dos valores depositados nas empresas de Carlinhos Cachoeira era proveniente da empresa Delta ConstruçÔes S.A. "Esses valores eram na verdade dinheiro pĂșblico desviado para pagamento de propina a agentes pĂșblicos", sustenta o MinistĂ©rio PĂșblico Federal.

Grampos telefĂŽnicos das operaçÔes revelaram a existĂȘncia de relação estreita entre Cachoeira e ClĂĄudio Dias Abreu, diretor regional do Centro-Oeste da empreiteira, envolvendo negociaçÔes com entidades pĂșblicas. Revelaram, tambĂ©m, que o contraventor mantinha contato frequente com os funcionĂĄrios de alto escalĂŁo da Delta, como Rodrigo Moral Dall Agnol, Carlos Alberto Duque Pacheco, Heraldo Puccini e tambĂ©m com o presidente da empreiteira, Cavendish.

De acordo com a denĂșncia, "o gigantesco esquema de lavagem de dinheiro foi elucidado na operação Saqueador, cujas provas foram compartilhadas com a Operação Lava Jato no ano de 2015".

Segundo o MinistĂ©rio PĂșblico Federal, entre 2007 e 2012, a Delta teve 96,3% do seu faturamento oriundo de verbas pĂșblicas representando esse porcentual o montante de quase R$ 11 bilhĂ”es e que a maior parte desses valores era proveniente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT).

AE
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