Candidatos e assessores divergem na quest√£o fiscal
Luciana Dyniewicz e Cleide Silva
S√£o Paulo
12/10/2018 11h30
A incoerência e a superficialidade nas propostas de política fiscal dos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) estão entre as principais fontes de inquietude dos economistas e empresários. Segundo eles, é natural que os candidatos evitem temas espinhosos, como um ajuste fiscal, às vésperas da eleição, mas, neste ano, o debate político está ainda mais incongruente: "Não se sabe qual é a plataforma dos dois", diz a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.

Do lado do candidato de direita, o projeto de vender estatais para equilibrar as contas p√ļblicas - que j√° era questionado por especialistas - perdeu ainda mais credibilidade ap√≥s Bolsonaro criticar a privatiza√ß√£o da Eletrobr√°s. Do lado do candidato de esquerda, n√£o h√° defini√ß√£o sobre a disponibilidade ou n√£o de realizar uma reforma da Previd√™ncia nem em rela√ß√£o ao modelo que seria adotado.

"Essa conversa (de Paulo Guedes, guru econ√īmico de Bolsonaro, indicado para ser ministro da Economia) de zerar o d√©ficit em um ano com privatiza√ß√Ķes √© conversa para boi dormir", diz o economista-chefe da LCA Consultores, Br√°ulio Borges. C√°lculos do economista apontam que uma eventual onda de privatiza√ß√Ķes n√£o arrecadaria mais que R$ 400 bilh√Ķes, incluindo estatais como Banco do Brasil, Petrobr√°s e Eletrobr√°s. A campanha de Bolsonaro, que falava em levantar R$ 1 trilh√£o com a venda de ativos, j√° anunciou que essas empresas ficariam de fora do projeto.

Borges acrescenta que a relação entre Guedes e Bolsonaro lembra a da ex-presidente Dilma Rousseff e do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Havia uma tensão inerente entre os dois", diz. "Os ruídos na campanha de Bolsonaro podem se acentuar."

A falta de unidade no discurso fiscal das duas campanhas pode dificultar a cria√ß√£o de uma equipe econ√īmica de peso, acredita Zeina. O economista Marcio Pochmann, um dos respons√°veis pelo programa do PT, tinha um discurso de que a reforma da Previd√™ncia n√£o era necess√°ria e que o crescimento econ√īmico estabilizaria o d√©ficit na √°rea. Haddad, no entanto, sinalizou estar disposto a debater o assunto. "Quando n√£o se tem um prop√≥sito claro e n√£o se deixa evidente quais s√£o os compromissos, fica muito mais dif√≠cil montar a equipe", diz Zeina.

Do lado dos empres√°rios, h√° tamb√©m o receio em rela√ß√£o a propostas que consideram inexequ√≠veis, como a do candidato Haddad, de usar reservas cambiais para promover desenvolvimento. "Isso n√£o existe", diz o presidente da Abinee (representa as empresas do setor eletroeletr√īnico), Humberto Barbato.

Ele tamb√©m discorda da abertura comercial unilateral proposta por Bolsonaro. Segundo Barbato, antes disso, seria preciso promover mudan√ßas estruturais para reduzir os custos da produ√ß√£o local. Em rela√ß√£o √†s propostas liberalizantes de Guedes, Barbato diz que se "chocam com as do candidato". J√° Fernando Figueiredo, presidente da Abiquim (representa a ind√ļstria qu√≠mica), v√™ com otimismo as propostas das duas candidaturas. "Se 90% delas forem cumpridas, o Pa√≠s voltar√° a crescer." As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
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