Chefe do porto de Santos ficar√° preso por tempo indeterminado, decide juiz
Paulo Roberto Netto
S√£o Paulo
08/11/2018 23h01
O juiz Roberto Lemos Filho, da 5¬™ Vara Federal de Santos (SP), decretou nesta quinta-feira, 8, a pris√£o preventiva do presidente afastado da Companhia Docas do Estado de S√£o Paulo (Codesp), Jos√© Alex de Oliva, detido no dia 31 no √Ęmbito da Opera√ß√£o Trit√£o.

Al√©m de Oliva, seu ex-assessor Carlos Antonio de Souza, o Carlinhos, e outros cinco investigados tiveram suas pris√Ķes convertidas de tempor√°ria para preventiva - quando n√£o tem prazo para terminar. O grupo √© alvo de investiga√ß√Ķes sobre fraudes em licita√ß√Ķes da estatal que administra o Porto de Santos, o maior do Pa√≠s.

No dia 31, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Tritão, o Conselho da Codesp anunciou o afastamento de Oliva e de outros dirigentes da estatal.

No entendimento do magistrado, a soltura de Oliva poderia interferir nas investiga√ß√Ķes devido ao seu "poder pol√≠tico e econ√īmico relevante". Segundo Lemos, h√° registros de tentativas de coa√ß√£o contra advogados da Codesp para atuar "n√£o conforme √†s normas de reg√™ncia".

Em outro caso, o juiz afirma a exist√™ncia de uma "alus√£o" envolvendo "um dos representados ao que parece muito pr√≥ximo a importante autoridade da Rep√ļblica", no acerto da entrega de um ve√≠culo de alto valor a uma testemunha "como forma de dissuadi-la de divulgar v√≠deo que o comprometeria".

As suspeitas de irregularidades surgiram com um vídeo postado na internet em setembro de 2016, no qual Carlinhos "confessava a prática de diversos delitos" supostamente ocorridos na Codesp, segundo informou a Polícia Federal ao deflagrar a Operação Tritão.

O inqu√©rito foi aberto em novembro do ano passado para investigar irregularidades em v√°rios contratos, que seriam realizados de forma fraudulenta com agentes p√ļblicos da estatal e empres√°rios. Entre os contratos investigados est√£o casos de contrata√ß√Ķes financeiramente negativas √† estatal e de aquisi√ß√Ķes desnecess√°rias.

O magistrado anotou que, desde a deflagração da Tristão, a polícia não concluiu o exame de todo o material coletado pelos policiais.

"Temo que esses elementos, de forma inequívoca, revelam o grande poder político e financeiro ostentado pelos representados, sendo certo que, até mesmo os que deixam de ocupar cargos da Codesp, poderão influenciar de forma prejudicial os trabalhos sendo desenvolvidos pela Polícia Judiciária", afirma Lemos. "Não é demasiado inferir que, em liberdade, poderão intimidar testemunhas que terão que ser ouvidas após a conclusão da análise das provas."

Tiveram as pris√Ķes tempor√°rias convertidas em preventivas: Jos√© Alex Botelho de Oliva, Joabe Francisco Barbosa, Joelmir Francisco Barbosa, Carlos Ant√īnio de Souza, Mario Jorge Paladino, Gabriel Nogueira Eufr√°sio e Cleveland Sampaio Lofrano.

A defesa dos investigados n√£o foi localizada.

AE
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