Collor está preparado para enfrentar Bolsonaro no segundo turno
Foto: Reprodução
Walter Brito
12/07/2018 08h06

Com a eliminação da seleção brasileira de futebol nas quartas de final, quando perdeu para a Bélgica por 2 x 1, todas as atenções do povo brasileiro se voltaram para a sucessão presidencial. Nesse contexto, a grande imprensa e os institutos de pesquisas renomados apresentam dados polêmicos, no afã de mostrar ao eleitor quem tem mais possibilidades de vencer o pleito, num momento em que o país atravessa a pior crise política e econômica de sua história e ainda o nosso maior líder, Luiz Inácio Lula da Silva, amarga uma prisão que se arrasta desde o dia 7 de abril de 2018. A Datafolha publicou recentemente, e em destaque, informação afirmando que entre os presidenciáveis, os mais rejeitados pelos eleitores são Fernando Collor, Lula e Bolsonaro, com os seguintes percentuais respectivamente: 39%, 36% e 32%.

Analisando o trio de políticos, percebe-se que aqueles que têm rejeição alta, notadamente são os mesmos que têm votos. À medida que se aproxima a eleição, a tendência daqueles que têm votos é diminuir a rejeição. Vale lembrar que no mês de janeiro de 2018, a Datafolha publicou que a rejeição de Fernando Collor era 44% e a de Lula 40%. Como podemos observar, Collor melhorou sua performance junto ao eleitorado brasileiro em 5%, enquanto que Lula tem a seu favor 4%. Por outro lado, Bolsonaro tem praticamente a mesma rejeição que tinha anteriormente, ou seja, 32%. Fernando Collor venceu diversas eleições, três meses antes do pleito, quando tinha alta rejeição.

O mesmo ocorreu nas eleições de Lula e outras de Bolsonaro. Vale relembrar a máxima do saudoso governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, que continua em voga: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.” Neste sentido, como as pré-candidaturas colocadas para presidente do Brasil, principalmente as de centro, ainda não decolaram, tudo pode acontecer.

Polêmicas à parte, nesta terça-feira (10), o ex-presidente Fernando Collor (PTC) recebeu a reportagem do Alô Brasília em seu gabinete no Senado Federal, quando teceu comentários sobre ações de seus dois anos e meio como condutor da principal cadeira do Palácio do Planalto. Ele disse que ocorreu a abertura de mercado, oportunidade em que os brasileiros passaram a transitar pelas ruas do país em automóveis de alta qualidade, bem como a conviver efetivamente com o mundo da tecnologia. Afirmou também, e com todas as letras, que não confiscou a poupança, fez o que era necessário. Ao final, o ex-presidente disse que a prisão de Lula aconteceu de forma exagerada. Veja a íntegra da entrevista.

 

Um nome à disposição do Brasil

De bate-pronto, perguntamos se sua candidatura é pra valer. O alagoano, como bom nordestino que não nega fogo, foi direto ao assunto e argumentou: “Quando resolvi colocar o meu nome para presidente do Brasil à disposição do povo brasileiro, exatamente no dia 19 de janeiro, em Arapiraca-AL, assumi um compromisso com as brasileiras e brasileiros de todos os rincões. Reafirmei esta posição em pronunciamento ocorrido na tribuna do Senado, no dia 15 de março. Naquela oportunidade, fiz comentários sobre o meu período como presidente do Brasil, entre os quais me referi ao relatório do Banco Mundial. Naquele documento está claro que a população menos favorecida foi efetivamente mais beneficiada que os ricos. Essa parcela importante de nosso país sabe que posso fazer muito mais, depois de quase três décadas que fui presidente. Certamente conto com maior experiência na vida pública e me considero preparado para enfrentar a enorme crise pela qual passa a nação brasileira. Logo reafirmo ao Alô Brasília, que disputarei a convenção de meu partido, o PTC, pleiteando a vaga para concorrer à presidência da República,” disse Collor.

 

Abertura de mercado e imunização

Indagamos ao ex-presidente Collor sobre os efeitos de seu governo no Brasil de hoje. Sem pestanejar, ele respondeu de pronto: “Quem não se lembra daqueles computadores arcaicos na década de 80? A partir de nosso governo, notadamente passamos a ter computadores e celulares de padrão internacional com a abertura de mercado que fiz, quando nos foi permitido inserir o Brasil no processo de ampliação dos países desenvolvidos do mundo. A tecnologia de padrão internacional que temos hoje é fruto de nosso trabalho árduo nos dois anos e meio que passamos pela presidência da República. Quero ressaltar e relembrar aos brasileiros, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, sobre o meu projeto de erradicação do sarampo, quando vacinamos 48 milhões de crianças em menos de uma semana, o que nos permitiu uma cobertura vacinal de 99% da população infantil. O fato ocorreu em abril de 1992 e fizemos um investimento de 150 milhões de dólares”, arrematou o pré-candidato do PTC ao Palácio do Planalto.


Ponto de partida do Plano Real

O popular confisco da poupança, sem dúvidas, é um momento forte, sempre lembrado pela população, especialmente pelas pessoas de 50 anos de idade ou mais. Por isso perguntamos ao ex-presidente, como foi sequestrar a poupança do povo brasileiro. Ele não tergiversou e argumentou de forma convicta: “Não ouve confisco e nem sequestro do dinheiro do povo brasileiro. O propósito foi diminuir a liquidez financeira naquele momento de instabilidade. Prova disso é que no governo de meu sucessor, o Itamar Franco, o Plano Real foi implantado com sucesso e, caso não tivéssemos tido a coragem de tomar aquela medida, certamente o Plano Real não teria sido implantado da forma que foi feito e deu certo. Vale lembrar que todos os brasileiros tiveram seus valores devolvidos em 12 parcelas e a correção monetária foi feita em melhores condições que as oferecidas pelo sistema financeiro à época. Ressalto que a medida atingiu 10% das contas de nosso povo, que recebeu o dinheiro de volta, conforme prometido quando tomamos aquela medida necessária no momento de grande crise”, disse Fernando Collor de Mello.

 

Reformas para o desenvolvimento

A reportagem questionou o presidenciável nordestino sobre as reformas de que o Brasil precisa para impulsionar seu desenvolvimento. Ele respondeu de forma pensada e segura: “Não tenho dúvidas, pois é fundamental a reforma do Estado, a reforma política e o pacto federativo. Estão aí inseridas outras reformas prioritárias para o equilíbrio efetivo da nação”, completou o ex-presidente do Brasil.

 

Militares no poder

Referente à tomada do poder pelos militares, por meio do processo democrático, quando militares de todos os estados se apresentam como candidatos, o ex-presidente argumentou: “O Governo Militar cumpriu o seu papel naquele momento de insegurança em nosso país. Entretanto, os militares têm o direito de pleitear cargos eletivos em todos os níveis, pois faz parte do processo democrático. Sempre tive um bom relacionamento com os militares de todas as patentes e de todas as forças no Brasil e no exterior. Vale ressaltar que recentemente fiz uma viagem para a Coreia do Sul, quando me encontrei com militares daquele país. Fui como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e em uma missão parlamentar, quando trocamos informações com objetivo de permitir avanços de nosso país nesta área”, arrematou.

 

Lula fez muito pelo Brasil

Dissemos ao ex-presidente que, embora adversário de Lula na campanha de 1989, quando venceu a eleição para presidente, argumentamos que os dois têm afinidades, inclusive já tiveram boas relações, independentemente, de partidos. Lembramos ainda que ele foi apeado do poder por meio do impeachment, tal qual Dilma Rousseff, aliada de Lula. Perguntamos como vai a relação dele com o PT, Lula e Dilma Rousseff. Collor sorriu e foi direto ao assunto: “O Lula fez muito pelo Brasil e já declarei isso por diversas vezes publicamente. A justiça é para todos e tem que ser cumprida, mas entendo que houve excesso no caso da prisão do ex-presidente brasileiro”, concluiu Fernando Collor.

 

Com apoio de Daniel Tourinho

Como se vê, a candidatura de Fernando Collor de Mello é pra valer e ninguém tem dúvidas de que Collor será aprovado na Convenção do Partido Trabalhista Cristão - PTC, no final de julho. A legenda é presidida por Daniel Tourinho, seu amigo e companheiro de diversas batalhas. Aliás, Tourinho era o presidente do PRN, legenda pela qual Collor se elegeu presidente em 1989.

Acreditamos que muitas águas ainda vão rolar por debaixo da ponte do Lago Paranoá até o dia 7 de outubro, quando 144 milhões de brasileiros estarão aptos a votar e decidirem os nossos destinos. Segundo pesquisas, a abstenção e o voto nulo ganharão de todos os presidenciáveis juntos. Na última eleição extemporânea, ocorrida no Estado de Tocantins, 49% dos eleitores não votaram. Na eleição extemporânea no Estado do Amazonas, no ano passado, o fato foi semelhante. Por outro lado, tanto no Amazonas quanto no Tocantins, os governadores eleitos representam tudo aquilo que os eleitores dizem não querer, mas elegeram, respectivamente, Amazonino Mendes (PDT) e Mauro Carlesse (PHS). A renovação, claro, foi empurrada com a barriga.

Candidatos que têm recall de votos poderão levar vantagem na eleição presidencial que se aproxima. Tanto Lula quanto Collor poderão empolgar o Brasil novamente. Sabemos que as possibilidades de Lula ser candidato são remotas. Também sabemos que Collor é bom orador e um excelente debatedor. Esta poderá ser a vez de Collor enfrentar Bolsonaro no segundo turno, pois o nordestino está preparado, e tudo indica que unirá muita gente ao seu lado, inclusive religiosos de todas as tendências.

Especial pro Alô Brasília
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