Collor volta a falar que é pré-candidato e que Lula é vítima de injustiça
Daniel Weterman
S√£o Paulo
12/07/2018 14h21
Ap√≥s seu partido afirmar que n√£o lan√ßaria candidatura √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, o senador Fernando Collor (PTC-AL) voltou a falar que √© pr√©-candidato ao Planalto. Em entrevista √† r√°dio Gua√≠ba, Collor tamb√©m defendeu o ex-presidente Luiz In√°cio Lula da Silva, dizendo que n√£o h√° prova contra o petista e que ele, mesmo preso em Curitiba, tem o direito de gravar depoimentos para a campanha eleitoral.

"Todos sabem que eu não tenho procuração e sequer afinidade ideológica com o ex-presidente Lula em função do que eu vou dize. Mas... eu entendo que vêm sendo cometida enormes injustiças em relação ao ex-presidente Lula", disse Collor.

Para ele, n√£o h√° provas que o tr√≠plex do Guaruj√°, pelo qual Lula foi condenado na Lava Jato, pertence realmente ao ex-presidente. "Ele foi submetido a uma pena de nove anos de deten√ß√£o sem ter sido concedido a ele o direito √† resposta a uma pergunta: onde est√° o documento que prova que o apartamento do Guaruj√° √© de minha propriedade ou de algu√©m de minha fam√≠lia?", declarou o senador. Ele destacou que o aumento da pena de Lula na segunda inst√Ęncia, para 12 anos, foi determinado sem "qualquer fato novo".

Collor defendeu ainda que Lula possa se manifestar como pré-candidato e, após ser registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como candidato a presidente. "Poderia ser dada a ele a oportunidade de receber um advogado que grave uma declaração sua e que essa declaração possa ser divulgada."

O senador disse não concordar, no entanto, com a tese do PT que Lula está sendo "perseguido" apenas por ser pré-candidato à Presidência. "Aí já acho que é uma viagem na maionese", comentou.

Na entrevista, o parlamentar e ex-presidente da Rep√ļblica fez fortes cr√≠ticas √† Opera√ß√£o Lava Jato, comparando a pr√°tica de firmar acordos de dela√ß√£o premiada com tortura. "√Č uma opera√ß√£o que ela, em si, tem os seus bons prop√≥sitos. Acontece que a execu√ß√£o dessa opera√ß√£o foi dada a pessoas imberbes, de cal√ßas curtas, que n√£o t√™m ainda consci√™ncia da realidade que nos cerca, que n√£o t√™m a experi√™ncia necess√°ria para ponderar e avaliar que aquilo que chega para julgamento e, mais do que isso, que est√£o atra√≠das pelos holofotes da m√≠dia."

Falando de sua eleição, em 1989, Collor revelou que torceu para enfrentar o ex-presidente Lula no segundo turno, como ocorreu, e que não queria ir para a disputa contra Leonel Brizola. Pedindo, ao final da entrevista, para que a rádio tocasse a Quinta Sinfonia de Beethoven, o senador disse que sua proposta de governo será baseada no projeto que começou quando chegou ao Palácio do Planalto.

AE
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