Com soma de incentivos, desconto no IR pode chegar a 40%
Cleide Silva
S√£o Paulo
09/11/2018 08h20
Empresas do setor automotivo - em especial as fabricantes de autopeças -, que já são beneficiadas pela Lei do Bem, poderão abater quase 40% de Imposto de Renda devido ou da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) ao somar o incentivo previsto nessa lei com o do Rota 2030.

De acordo com Francisco Alberto Tripodi, sócio da consultoria Pieracciani, a Lei do Bem prevê dedução de 20,4% a 27,2% no IR e na CSLL para empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. O Rota estabelece abatimentos de 10% a 12% e ambos descontos podem ser somados pelas empresas que aderirem ao programa.

"Combinar a legisla√ß√£o atual com o Rota 2030 vai ser a melhor estrat√©gia para as empresas de autope√ßas e as montadoras", afirma Tripodi, que presta consultoria a v√°rias empresas do setor. Nesta quinta-feira, 8, ele esteve com executivos de uma autope√ßa de origem alem√£ que estuda um investimento de R$ 30 milh√Ķes em P&D com base nessa possibilidade.

Tripodi ressalta que o maior porcentual de desconto na Lei do Bem √© concedido apenas para empresas que geram lucro, e deve ser usado no prazo de um ano ap√≥s a comprova√ß√£o do investimento. J√° no Rota, a empresa ter√° at√© cinco anos para fazer o abatimento. Essa foi uma das conquistas das montadoras no programa ap√≥s alegaram que, atualmente, em raz√£o da recente crise econ√īmica, a maioria das fabricantes opera no vermelho e n√£o h√° garantias de que voltem a lucrar no curto prazo.

Na opini√£o do especialista em direito tribut√°rio Bruno Sartori de Carvalho Barbosa, s√≥cio do escrit√≥rio Souza, Mello e Torres, apesar da ren√ļncia de receita, o apoio a projetos de inova√ß√£o "√© uma pr√°tica muito usada para o desenvolvimento de determinados setores ou produtos e ajuda a gerar mais faturamento, mais contribui√ß√£o tribut√°ria e mais empregos diretos e indiretos".

Incompleta

Para o Sindicato dos Metal√ļrgicos do ABC, entidade que representa os trabalhadores do maior polo automotivo do Pa√≠s, o Rota √© um "programa aqu√©m das necessidades da ind√ļstria automotiva brasileira".

Segundo nota divulgada pela entidade nesta quinta-feira, 8, "ao não contemplar políticas tarifárias que incentivem a produção nacional, que estavam presentes no Inovar-Auto, o Rota 2030 ficou incompleto, pois não zela pelo emprego".

A MP aprovada, acrescenta o sindicato, tamb√©m n√£o atende aos pleitos de fortalecimento da cadeia produtiva. "Por ter validade de 15 anos, deveria ser muito mais estruturante." As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
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