Controladoria diz que UFSC tem 121 'notifica√ß√Ķes pendentes'
Julia Affonso, Fausto Macedo e Luiz Vassallo
S√£o Paulo
07/12/2017 13h07
A Opera√ß√£o Torre de Marfim aponta que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apresenta um "hist√≥rico de recomenda√ß√Ķes para corre√ß√£o de irregularidades". Ao todo, s√£o 121 notifica√ß√Ķes pendentes, destacou a Controladoria-Geral da Uni√£o.

A UFSC voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira, 7, com a deflagração da Operação Torre de Marfim - missão conjunta da PF e Controladoria que cumpre 20 mandados judiciais, dos quais 14 de buscas e seis de condução coercitiva da servidores da Universidade e empresários.

Esta investigação foi iniciada em 2014. A PF informou que a nova incursão na UFSC não tem ligação com a Operação Ouvidos Moucos, desencadeada em setembro passado.

A PF constatou que valores relativos a v√°rios projetos executados por funda√ß√Ķes de apoio "se misturam e isso cria um ambiente sem controle, muito prop√≠cio ao desvio".

A investiga√ß√£o mostra que empresas contratadas possuem v√≠nculos com servidores das pr√≥prias funda√ß√Ķes. "H√° uma s√©rie de ind√≠cios de desvios", diz a PF. "S√£o os mesmos atores, que continuam atuando e gerindo projetos."

De 2010 a 2017, diz a PF, um investigado geriu em torno de R$ 245 milh√Ķes e outro R$ 80 milh√Ķes.

Os "mesmos atores", segundo a PF, continuam recebendo recursos federais. "Existe preponder√Ęncia de determinados atores, que s√£o os coordenadores que recebem os valores mais altos", destacou a PF.

Os investigadores destacam que "a Universidade deve ter excelentes profissionais e excelentes projetos", mas se dizem intrigados pelo fato de que os maiores recursos são direcionados "para os mesmos atores". A PF diz ter indícios de que esse dinheiro "não está sendo aplicado de forma correta".

Segundo a PF, desvios podem ter ocorrido por meio de contratos com transportadoras, ag√™ncias de turismo, compra de passagens a√©reas, despesas com hot√©is e pagamentos de aut√īnomos.

Do quadro total de 121 recomenda√ß√Ķes, segundo a Controladoria, em 90 procedimentos j√° expirou o prazo para que a Universidade "demonstrasse que, efetivamente, cumpriu as medidas que ela mesmo tinha proposto".

A Controladoria avalia que a situa√ß√£o "preocupa", j√° que de todos esses casos que s√£o alvo de recomenda√ß√Ķes, 35% est√£o ligados √† rela√ß√£o da UFSC e suas funda√ß√Ķes de apoio - principal alvo da Opera√ß√£o Torre de Marfim.

Os investigadores consideram que esse procedimento "p√Ķe em risco recursos p√ļblicos, pela forma como contratos t√™m sido gerenciados". A PF informou que o grupo sob investiga√ß√£o tinha um "modus operandi a partir do recebimento de verbas federais para realiza√ß√£o de conv√™nios ‚Äôem valores bem consider√°veis".

Defesa

O chefe de gabinete da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina √Āureo Moraes declarou que a Institui√ß√£o "foi tomada de assalto, absolutamente surpreendida" pela nova incurs√£o da Pol√≠cia Federal. Segundo ele, "n√£o houve o m√≠nimo comunicado pr√©vio".

"Sabemos apenas o que está sendo veiculado pela mídia, sequer sabemos a quem (a operação) alcança e de que projetos se trata", declarou. Moraes disse que, provavelmente na tarde desta quinta-feira, a UFSC poderá se manifestar oficialmente.

Ele esclareceu que a gest√£o atual assumiu em 2016. "Quando fazem men√ß√£o a 120 notifica√ß√Ķes da Controladoria e do TCU √© preciso saber a qual gest√£o isso se refere. Esta √© a nossa dificuldade. Fala-se em projetos que datam de muitos anos atr√°s."

√Āureo Moraes assinala, ainda, que os projetos s√£o desenvolvidos por funda√ß√Ķes de apoio. "N√£o √© que a Universidade n√£o tenha comprometimento (com a atua√ß√£o das funda√ß√Ķes), tem, mas nos limites das suas atribui√ß√Ķes. Tudo isso precisa ser esclarecido, o que √© atribui√ß√£o e o que n√£o √© da Universidade, a qual per√≠odo se refere a investiga√ß√£o. Antes de 2016 n√£o temos nenhuma inger√™ncia."

O chefe de gabinete √© enf√°tico. "O que √© pac√≠fico, e poder√° constar de uma eventual nota da Universidade a ser divulgada ainda hoje (quinta, 7), √© que, de novo, institui√ß√Ķes de Estado respeitadas como a UFSC acabam por ter sua imagem abalada e seu ambiente desarmonizado sem que, ao cabo da investiga√ß√£o, fique caracterizada sua responsabilidade (em fatos apontados como il√≠citos)."

AE
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