Curdos realizam plebiscito e tensões no Oriente Médio aumentam
26/09/2017 00h13
Os curdos do Iraque realizaram hoje uma votação para decidir sobre a independência da região semiautônoma do Curdistão, num movimento caracterizado pela liderança curda como um exercício de autodeterminação, mas visto como um ato hostil por Bagdá. A vizinha Turquia, por sua vez, chegou a ameaçar uma resposta militar.

Para Bagdá, a votação ameaça redesenhar as fronteiras do Iraque, tomando uma parte considerável da riqueza de petróleo do país com ela. Já líderes turcos e iranianos temem que o movimento encoraje as suas próprias populações curdas.

O plebiscito - que deve resultar na vitória do "sim" quando os resultados oficiais forem revelados no final desta semana - não foi obrigatório e não trará independência imediata da região. De qualquer forma, aumentou as tensões no Oriente Médio.

Poucas horas depois de as urnas serem fechadas nesta noite, o Ministério da Defesa do Iraque anunciou o lançamento de exercícios militares conjuntos de grande escala com a Turquia.

Mais cedo, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou a região curda com intervenção militar. O Irã, que também se opôs ao plebiscito, realizou exercícios militares ao longo de sua fronteira no sábado.

A independência da região ainda é motivo de tensão porque as forças lideradas pelos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico atuam por lá. O governo americano disse que está "profundamente desapontado" com a realização do plebiscito, chamando-o de "unilateral".

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, disse que o movimento "aumentaria a instabilidade" da região e que complica a capacidade do governo regional de trabalhar com Bagdá e com Estados vizinhos. Ainda assim, ela afirmou que seu país não vai alterar o "relacionamento histórico" com os curdos iraquianos por causa da votação.

Já a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou para os efeitos "potencialmente desestabilizadores" do plebiscito. "Todas as questões entre o governo federal do Iraque e o governo regional do Curdistão devem ser resolvidas através do diálogo estruturado e compromisso construtivo", diz o comunicado da organização. (Matheus Maderal, com informações da Dow Jones Newswires - matheus.maderal@estadao.com)

AE
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