Delator revela entrega de valores a Nardes em Brasília
Julia Affonso
S√£o Paulo
10/08/2018 17h13
O delator Juscelino Gil Velloso, irm√£o do ex-subsecret√°rio de Transportes do Rio Luiz Carlos Velloso, relatou √† Procuradoria da Rep√ļblica uma entrega de valores ao ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da Uni√£o (TCU), em Bras√≠lia. Os depoimentos de Juscelino e Luiz Carlos Velloso foram prestados em maio do ano passado e subsidiaram a investiga√ß√£o da Opera√ß√£o Lava Jato, no Rio, sobre a corretora Advalor - alvo de a√ß√£o deflagrada nesta sexta-feira, 10.

O empresário João Paulo Julio de Pinho Lopes, filho do empresário Miguel Julio Lopes e ligado à Advalor, foi preso preventivamente pela Polícia Federal durante a manhã. A corretora foi alvo de mandado de busca e apreensão. Miguel Julio Lopes foi alvo da Lava Jato, no Paraná, em março de 2017. Atualmente, ele mora em Portugal.

Luiz Carlos Velloso afirmou que Augusto Nardes girou R$ 1,2 milh√£o na corretora. O delator relatou que o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco lhe apresentou a Advalor "em raz√£o do pagamento mensal de R$ 100 mil mensais ao ministro Nardes".

Aos investigadores, Luiz Carlos e Juscelino relataram que a Advalor era usada "como uma esp√©cie de institui√ß√£o financeira para armazenar recursos il√≠citos de agentes p√ļblicos, bem como efetivar pagamentos em seu favor".

Augusto Nardes foi o ministro do TCU respons√°vel pela an√°lise das contas da ex-presidente Dilma (PT). Em 2015, Nardes atribuiu a ent√£o presidente "responsabilidade direta sobre as pedaladas fiscais".

Em depoimento, Juscelino Velloso contou que foi à corretora por meio do irmão no final de 2015. O delator disse que Luiz Carlos pediu que Miguel Julio Lopes, o "baixinho", atendesse seus pedidos.

"Luiz era destinat√°rio dos valores retirados na Advalor; que tamb√©m recebia orienta√ß√Ķes de Luiz para fazer dep√≥sitos em contas do Banco do Brasil; que se tratava de dep√≥sitos feitos em benef√≠cio de Nardes", afirmou Juscelino.

"Luiz não costumava dar satisfação sobre a destinação dos valores, mas que em uma oportunidade Luiz relatou que entregaria os valores a Nardes, indo a Brasília fazer a entrega; que eventualmente ia na Advalor só para pegar recibos de depósitos realizados pela corretora a mando de Luiz."

O delator Juscelino afirmou que "não pegou valores na Advalor para entregar para outras pessoas". Disse ainda que "os depósitos eram feitos em dinheiro".

"Os valores eram picados para realizar os depósitos, não sendo muito altos", declarou.

O irmão do ex-subsecretário afirmou ainda que "a Advalor também fazia transferências para pessoas vinculadas a Nardes". O delator contou que "também pagou contas (mensalidade escolar) e fez depósitos nas contas de pessoas vinculadas a Nardes" e citou um interlocutor identificado como Flavio Camilloti.

"O irm√£o do colaborador disse que Camilotti tem rela√ß√£o com o ministro Nardes; que Igor Copetti √© sobrinho do Nardes; que ele ficou hospedado uma vez no apartamento da Avenida Atl√Ęntica; que ele apresentou um escrit√≥rio de advocacia sediado em Goi√°s e apresentou uma rela√ß√£o de pessoas que tinham dinheiro a receber, por exemplo, a√ß√Ķes", disse o delator.

"Foi encaminhada uma rela√ß√£o de pessoas que detinham cr√©ditos para saber se o colaborador conhecia; que Igor Copetti ficou hospedado no apartamento por ser sobrinho de Nardes, a pedido de Luiz; que depois chegou a receber informa√ß√Ķes sobre cr√©ditos detidos por uma massa falida de uma empresa de material de constru√ß√£o; que chegou a fazer um contrato de parceria para o recebimento de porcentual sobre esses cr√©ditos, mas n√£o houve irregularidades nessa transa√ß√£o; Que Igor Copetti n√£o recebeu dinheiro da Advalor."

De acordo com o delator, havia uma conta na Advalor, que está ativa atualmente. Juscelino contou que foi três vezes à corretora saber o saldo.

"Resolveu gravar uma ida a Advalor para assegurar o motivo do comparecimento; que tentou sacar o dinheiro para apresentar ao Minist√©rio P√ļblico Federal; que foi

'enrolado' pelo filho de Miguel Julio Lopes, chamado Jo√£o", disse.

Segundo o delator, "no primeiro dia, o contato foi feito pessoalmente". Juscelino declarou que "depois continuou indo sempre pessoalmente para tentar pegar um extrato da conta".

"Antes nunca tinha pegado extrato a pedido de Luiz; que n√£o conseguiu, mas gravou as idas √† corretora; que, na grava√ß√£o, o colaborador tenta informa√ß√Ķes sobre o saldo da conta para pagar o advogado; que tamb√©m Jo√£o diz os dias e valores que foram feitos saques pelo colaborador; que as datas e valores estavam anotados em um papel; que tentou informa√ß√Ķes sobre o valor que foi movimentado", afirmou.

Juscelino disse que "ao longo de um ano foi movimentado R$ 145 mil". O delator declarou que disse a João Paulo Julio de Pinho Lopes que havia R$ 500 mil para ver sua reação.

"Argumentava dizendo que precisava do dinheiro para pagar advogados; que João disse que estava numa situação difícil por causa da busca e apreensão; Que a gravação foi feita com um celular novo; que a gravação foi feita para comprovar que estava sendo enrolado; que baixou um programa para fazer a gravação", contou.

Defesas

Por meio da Secretaria de Comunica√ß√£o do Tribunal de Contas da Uni√£o, o ministro Augusto Nardes informou que "nunca foi relator das obras da linha 4 do metr√ī do Rio de Janeiro, jamais teve qualquer rela√ß√£o com a corretora de valores mencionada e n√£o conhece a pessoa objeto do mandado de pris√£o". O ministro refuta veementemente as "ila√ß√Ķes veiculadas e informa que est√° √† disposi√ß√£o das autoridades para os esclarecimentos necess√°rios, como qualquer cidad√£o".

Em nota à imprensa, a defesa do Deputado Julio Lopes afirma que "seu cliente não tem nenhuma relação com os fatos em apuração, bem como com os alvos da operação policial de hoje."

AE
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