Entrevista: Marcelo Vitorino
Foto: Divulgação
√Črica Ianuck
16/05/2018 09h06

Marcelo Vitorino: “A guerra contra os boatos está praticamente perdida. É quase impossível impedir que boatos sejam disseminados, principalmente depois que são enviados por WhatsApp. Com isso cresce muito a necessidade de ter alguma espécie de time de combate.”

 

Cursos, treinamentos, reuniões, campanhas. Aprender, ensinar, pensar no mundo de possibilidades do digital. Assim é parte da rotina de um estrategista digital como Marcelo Vitorino. O especialista em marketing político digital partiu da comunicação tradicional e migrou para o online e novas plataformas onde adquiriu experiência para lidar com os desafios de participar de campanhas políticas. Professor, consultor de marketing digital e gestão de crise, Vitorino otimiza seu tempo com a missão de planejar campanhas, palestrar, ministrar cursos e elaborar conteúdo em vídeo para ajudar os que querem avançar na profissão e ter sucesso em resultados das disputas eleitorais. O Alô Brasília conversou com Marcelo Vitorino, a entrevista exclusiva esclarece dúvidas do marketing digital para as campanhas de 2018.

 

Que tipo de conteúdo no digital está mais em alta para o eleitor? Qual melhor abordagem?

 

Não dá para precisar facilmente o que os eleitores querem, até porque existem diferenças enormes entre os segmentos da população, que além das diferenças culturais e regionais, também há as diferenças geracionais. Por exemplo, os mais jovens, residentes de capitais, com acesso à banda larga querem uma comunicação mais focada em vídeos curtos no Facebook e um pouco mais longos no YouTube. Já alguns adultos preferem os chamados 'textões' no Facebook, textos com muitos caracteres. O importante mesmo é que o conteúdo em redes sociais contenha um componente emocional muito forte, um componente que transforma a informação em uma narrativa, que além de informar é capaz de entreter. Pessoas que estão conectadas em redes sociais estão lá por dois motivos: entretenimento e relacionamento. Que os candidatos e suas equipes tenham isso como um mantra que divide o que deve ser publicado e o que deve ser esquecido. Ao terminar uma publicação deve ler e perguntar "esse conteúdo entretêm alguém?".

 

Quais dúvidas mais frequentes em seus cursos e palestras?

 

Muita gente quer saber como obter o milagre da audiência sem investimento financeiro na disseminação de conteúdos, o que é cada vez mais raro e ineficaz. Bons conteúdos não são baratos nem para serem produzidos. Para fazer um bom vídeo, por exemplo, não é questão de ter somente um bom equipamento. É preciso ter um bom roteiro, uma visão boa de narrativa, uma boa edição e só após isso divulgar. Outra coisa é a pergunta de como gerar 'likes' para páginas, o que hoje, com a legislação eleitoral que permite o impulsionamento de publicações durante o período eleitoral, é completamente inútil. Antigamente tínhamos que ter muitos fãs porque dependíamos exclusivamente do alcance orgânico, hoje podemos selecionar o público de interesse e atingir de forma rápida, com preço razoável.

 

Qual melhor investimento no atual cenário político: Fake news para desconstrução de imagem do candidato adversário ou fact checking para combater fake news?

 

O melhor investimento é a captação, organização e a qualificação de militância. A guerra contra os boatos está praticamente perdida. É quase impossível impedir que boatos sejam disseminados, principalmente depois que são enviados por WhatsApp. Com isso cresce muito a necessidade de ter alguma espécie de time de combate. Grupos de militantes que consigam desmentir boatos com muita rapidez e eficiência. Em campanhas políticas os boatos são plantados basicamente para asfixiar o debate político e levar os candidatos a deixar de fazer campanhas para responderem acusações. Esse fenômeno ocorre porque o ativo mais importante de uma campanha é o tempo. Ele é o alvo do agente criminoso. O que os candidatos devem fazer é estruturar equipes de pronta ação e, a partir daí, prosseguir normalmente com sua campanha, evitando perder tempo defendendo-se.

Da reda√ß√£o do Al√ī Bras√≠lia
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