Escolas querem rever benefícios de professor
Isabela Palhares
S√£o Paulo
17/04/2018 07h55
A proposta das escolas particulares de rever parte dos direitos adquiridos pela categoria, com a reforma trabalhista, vem afetando a rotina dos estabelecimentos de ensino em S√£o Paulo.

A convenção coletiva que estabelece cláusulas específicas, como recesso escolar e bolsa de estudo para filhos, por exemplo, não foi renovada em março. Sem um acordo, a definição sobre manter ou não os direitos está sendo feita caso a caso pelos colégios.

De um lado, escolas maiores e com mensalidades mais altas - como Bandeirantes, Santi, S√£o Lu√≠s, Oswald de Andrade - informaram seus professores que v√£o manter as cl√°usulas da conven√ß√£o antiga. De outro, col√©gios com menos alunos dizem que continuar concedendo os direitos atuais compromete sua sa√ļde financeira.

Justiça

O impasse fez o Sindicato dos Professores de S√£o Paulo (Sinpro-SP) recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que toda a categoria mantenha os mesmos direitos. Especialistas dizem que a falta de padroniza√ß√£o das condi√ß√Ķes pode ampliar as diferen√ßas de qualidade do ensino dentro da rede privada.

Dentre as altera√ß√Ķes propostas pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de S√£o Paulo (Sieeesp) est√£o, por exemplo, a redu√ß√£o da bolsa de estudos de dois para um filho de professor e limitada √†queles que t√™m carga hor√°ria semanal de ao menos 10 horas; reduzir o recesso escolar do fim de ano de 30 para 20 dias e aumentar o tempo de contrata√ß√£o de 22 para 60 meses para ter direito √† garantia de semestralidade (que estabelece o pagamento dos sal√°rios restantes em caso de demiss√£o sem justa causa antes do fim do semestre).

Mauro Aguiar, diretor do colégio Bandeirantes, na zona sul da capital, diz que já informou os docentes sobre a manutenção dos principais pontos da convenção. "Não temos nem o limite de dois filhos por professor. Sempre tivemos como visão que a bolsa faz parte da remuneração e é um atrativo para bons profissionais."

No Santi, tamb√©m na zona sul, os direitos foram preservados para este ano. No entanto, Fernando Cury, diretor administrativo, diz que alguns pontos podem ser negociados nos pr√≥ximos anos. Segundo ele, as escolas t√™m poucos dias dispon√≠veis para as forma√ß√Ķes continuadas, j√° que 200 dias do ano s√£o necessariamente para atividades com os alunos.

Luiz Antonio Barbagli, presidente do Sinpro-SP, avalia que as decis√Ķes individuais enfraquecem as conquistas adquiridas. "O que era um direito se torna um privil√©gio", diz. S√©rgio Firpo, professor do Insper e especialista em Economia da Educa√ß√£o, diz que a mudan√ßa nos direitos aumenta as discrep√Ęncias dentro da rede privada. As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
Comentários

Carregando notícias...
COPYRIGHT © - PORTAL ALÔ - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
ANUNCIE | FALE CONOSCO | COMERCIAL | EXPEDIENTE | TRABALHE CONOSCO