Fam√≠lia de Marielle relata ang√ļstia com falta de informa√ß√Ķes da pol√≠cia
Roberta Pennafort
13/06/2018 15h05
Num ato realizado pela Anistia Internacional na porta do pr√©dio do Minist√©rio Publico, no centro do Rio, nesta quarta-feira, 13, para marcar os tr√™s meses do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), o pai dela, Antonio Francisco Silva, se disse angustiado com a falta de informa√ß√Ķes sobre as investiga√ß√Ķes.

A vereadora, quinta mais votada do Rio em 2016, foi morta a tiros de submetralhadora em seu carro, no Estácio, zona central da cidade. O motorista dela, Anderson Gomes, também foi vitimado pelo ataque.

"Queremos uma resposta √† altura do crime. O sil√™ncio nos deixa muito angustiado. O delegado diz ser necess√°rio. √Č inefici√™ncia da pol√≠cia? Todas as informa√ß√Ķes que recebemos s√£o atrav√©s da imprensa", lamentou o pai.

Marielle era defensora dos direitos humanos, com foco principalmente em mulheres e popula√ß√Ķes faveladas. A pol√≠cia investiga a participa√ß√£o de milicianos no caso, mas n√£o vem divulgando os passos do inqu√©rito.

A fam√≠lia de Marielle e representantes da Anistia foram recebidos pelo procurador-geral de Justi√ßa, Eduardo Gussen, que reafirmou o compromisso da institui√ß√£o na elucida√ß√£o dos homic√≠dios. "√Č importante chegarmos aos verdadeiros culpados. √Č √≥bvio que uma investiga√ß√£o dessa complexidade leva um tempo significativo. Ela era a maior representante dos direitos humanos hoje em dia. Tr√™s, quatro, cinco meses... N√£o queremos encontrar qualquer culpado", declarou Gussen.

"Estamos confiantes, n√£o estamos sozinhos. Quando agrega uma institui√ß√£o a mais, nos fortalece. Com Copa (do mundo) ou sem Copa, n√£o vamos deixar o crime ser esquecido. Aquele √© sangue meu, vou reivindicar", disse a m√£e de Marielle, Marinete Silva. "A gente n√£o pode deixar com que a Copa ou outros fatos fa√ßam com que o caso perca for√ßa. Foi um crime pol√≠tico, contra a nossa democracia. N√£o pode ser mais um caso", afirmou a mulher da vereadora, M√īnica Ben√≠cio.

A Anistia cobrou a convoca√ß√£o de uma for√ßa-tarefa do MP para o caso e um posicionamento da Secretaria de Estado da Seguran√ßa sobre o empenho nas investiga√ß√Ķes. A secretaria informou nesta quarta-feira que n√£o daria informa√ß√Ķes √† imprensa sobre a apura√ß√£o.

Uma testemunha (um ex-PM preso por outros crimes) relatou que a execu√ß√£o foi encomendada pelo vereador Marcello Siciliano (PHS). Ele teria envolvimento com mil√≠cias da zona oeste. Com suas a√ß√Ķes pol√≠ticas, Marielle teria "atrapalhado" a atua√ß√£o do grupo em favelas da regi√£o. O vereador nega envolvimento.

Jungmann afirma que mobilização para a solução do caso é intensa

Em entrevista na manhã desta quarta-feira à rádio CBN, o ministro extraordinário da Segurança, Raul Jungmann, afirmou que o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes (em 14 de março) está levando aproximadamente o mesmo tempo para ser solucionado que outros crimes de grande repercussão no Rio, como o desaparecimento do pedreiro Amarildo, na Rocinha, em 2013, e a execução da juíza Patrícia Acioli, em Niterói, em 2014. Amanhã, a morte de Marielle e de Anderson completa três meses sem solução.

"Eu tenho como par√Ęmetro o caso do Amarildo, que levou aproximadamente de 90 a cem dias, se n√£o me falha a mem√≥ria, e o caso da Patr√≠cia Acioli. (Esses casos) foram desvendados pela mesma equipe que est√° investigando o caso da Marielle", afirmou.

O ministro afirmou que a mobiliza√ß√£o para a solu√ß√£o do caso √© intensa. "A Pol√≠cia Federal est√° colaborando intensamente, todas as outras √°reas de intelig√™ncia (tamb√©m est√£o colaborando) para que se possa construir provas e chegar at√© o executante e tamb√©m at√© o mandante desse crime", disse. "√Č do interesse de todos que seja esclarecido."

Jungmann lembrou, no entanto, que um complicador no caso das mortes de Marielle e Anderson é que a motivação do crime é desconhecida: "O que acontece é que esse é um crime de desvendamento complexo. Pelo menos até onde eu saiba, e eu devo voltar ao Rio esta semana, não se tinha informação do móvito. Qual foi a ameaça? Qual foi o conflito em que Marielle se envolveu para que acontecesse essa tragédia que aconteceu com ela?"

AE
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