Guardia diz que preocupa√ß√£o do governo √© com o futuro das contas p√ļblicas
Altamiro Silva Junior, Renata Pedini e Adriana Fernandes
São Paulo e Brasília
12/07/2018 16h00
O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse nesta quinta-feira, 12, que o governo n√£o tem d√ļvidas de que vai conseguir cumprir a meta fiscal deste ano, que permite um rombo de at√© R$ 159 bilh√Ķes nas contas p√ļblicas. Mas, com o ritmo de vota√ß√£o de projetos do Congresso Nacional que aumentam as despesas e concedem mais isen√ß√Ķes a setores espec√≠ficos, a preocupa√ß√£o √© em rela√ß√£o aos pr√≥ximos anos. Reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" mostrou que projetos aprovados no Congresso t√™m impacto potencial de mais de R$ 100 bilh√Ķes para os cofres p√ļblicos.

Guardia também anunciou que o governo trabalhará com expectativa de alta de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, a ser apresentada no próximo dia 22, na divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas. Oficialmente, o governo ainda trabalha com projeção de crescimento de 2,5% para este ano.

"O que temos de assegurar s√£o as condi√ß√Ķes daqui para frente, e a√≠ temos de assegurar a agenda de reformas", afirmou o ministro, ressaltando que a aprova√ß√£o da reforma da Previd√™ncia continua "absolutamente fundamental", at√© mesmo para dar maior credibilidade para a medida que fixa um teto para a alta dos gastos p√ļblicos (a regra que limita o aumento dos gastos √† varia√ß√£o da infla√ß√£o).

Guardia participou do Broadcast Ao Vivo Interativo, programa em que assinantes do Broadcast - produto de informação em tempo real do Grupo Estado - participam enviando perguntas ao entrevistado.

Uma das perguntas enviadas pelos assinantes do Broadcast ao ministro foi sobre a diferen√ßa entre o momento atual e o ano de 2002, quando o mercado ficou estressado diante da possibilidade de vit√≥ria de Luiz In√°cio Lula da Silva. Guardia disse que a quest√£o fiscal agora est√° pior do que naquela √©poca. J√° a situa√ß√£o das contas externas est√° bem melhor agora. "A gente tinha a d√≠vida interna atrelada ao d√≥lar. √Čramos devedores l√≠quidos em moeda estrangeira", afirmou ele.

"Outra diferen√ßa √© que naquele momento o Tesouro n√£o tinha um colch√£o de liquidez como o que tem hoje", disse o ministro, ressaltando que o Banco Central tamb√©m tem mais instrumentos para evitar muita volatilidade no mercado. "Em abril de 2002, o Tesouro tinha menos de R$ 40 bilh√Ķes em caixa", ressaltou. Hoje o "colch√£o de liquidez" est√° pr√≥ximos R$ 600 bilh√Ķes, completou o ministro.

Na área fiscal, Guardia destacou que na época havia superávit primário, enquanto hoje há um déficit primário. Já a inflação hoje é bem menor do que naquela época. "Temos incerteza em relação à transição política. Isso é normal, mas cada vez mais os agentes vão perceber que existe compromisso dos principais candidatos com a continuidade das reformas."

Guardia ressaltou que, embora deputados e senadores avancem em pautas apelidadas de "farra fiscal" - por causa do impacto nas contas p√ļblicas -, o Congresso tamb√©m aprovou projetos importantes para a √°rea econ√īmica. Ele mencionou que na C√Ęmara j√° passaram o projeto de lei da venda das distribuidoras da Eletrobras, do cadastro positivo, a duplicata eletr√īnica e a quest√£o dos distratos imobili√°rios.

AE
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