Justiça mantém Puccinelli na cadeia da Lama Asfáltica
Luiz Vassallo e Fausto Macedo
S√£o Paulo
14/11/2017 21h55
A Justi√ßa Federal em Campo Grande manteve na pris√£o da Opera√ß√£o Lama Asf√°ltica o ex-governador Andr√© Puccinelli (PMDB) e seu filho, o advogado Andr√© Puccinelli J√ļnior - capturados nesta ter√ßa-feira, 14, por suspeita de integrarem organiza√ß√£o criminosa que teria desviado R$ 235 milh√Ķes de verbas p√ļblicas da Uni√£o por meio de fraudes em licita√ß√Ķes e concess√£o de cr√©ditos tribut√°rios a grupos empresariais em troca de propinas.

Durante audiência de custódia realizada na 3.ª Vara Federal de Campo Grande, no final da tarde desta terça, o juiz Ney Gustavo Paes de Andrade rejeitou pedido da defesa dos Puccinelli para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares.

O advogado Ren√™ Siufi, que defende o ex-governador e seu filho, vai entrar com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3.¬™Regi√£o (TRF3) alegando que ambos s√£o inocentes, que n√£o h√° nenhuma prova de corrup√ß√£o contra eles e que, soltos, n√£o v√£o prejudicar as investiga√ß√Ķes.

O ex-governador e o filho foram presos na Operação Papiros de Lama, quinta fase da Lama Asfáltica, deflagrada pela Polícia Federal, em parceria com a Receita e a Controladoria-Geral da União.

Papiros de Lama foi montada a partir da dela√ß√£o premiada do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda. Ele afirmou que viajava frequentemente a S√£o Paulo para pegar propina em dinheiro vivo destinada a Puccinelli. Pelo menos R$ 20 milh√Ķes teriam sido repassados ao peemedebista, segundo o delator.

A PF atribui ao ex-governador 'papel central' na organização criminosa que se teria instalado no governo de Mato Grosso do Sul - o peemedebista chefiou o Executivo estadual por dois mandatos, entre 2007 e 2014.

Ren√™ Siufi, defensor de Puccinelli e de seu filho, reagiu com veem√™ncia √† vers√£o do delator. "√Č inconsistente (a dela√ß√£o), ele (Ivanildo) fala que arrecadou at√© mar√ßo de 2015. Nessa √©poca, o Andr√© Puccinelli nem era mais governador. S√≥ se ele (Ivanildo, o delator) estava arrecadando para algu√©m e para ele pr√≥prio", declarou Siufi.

Renê Siufi disse que Puccinelli já foi ouvido três vezes na Polícia Federal sobre os fatos atribuídos a ele na Operação Lama Asfáltica. "Ele (Puccinelli) já falou sobre 90%, os outros 10% são referentes à delação (de Ivanildo Miranda) que é totalmente inconsistente."

A prisão dos Puccinelli foi decretada com fundamento de que eles continuam praticando delitos, que a organização criminosa à qual supostamente pertencem é permanente e lava dinheiro.

"Achei estranho a ordem de pris√£o preventiva porque n√£o tem sequer processo criminal contra o governador e o menino (Andr√© J√ļnior). N√£o tem processo e eles nem foram indiciados na Pol√≠cia Federal, foram ouvidos em declara√ß√Ķes. Nunca vi isso em 47 anos de advocacia", desabafou Ren√™ Siufi.

A Opera√ß√£o Papiros de Lama atribui a Puccinelli J√ļnior emiss√£o de notas fiscais frias para lavar dinheiro. "N√£o tem prova nenhuma contra o menino, ele nunca recebeu nenhum dinheiro il√≠cito", afirma Ren√™ Siufi. "Isso √© uma bobagem, (o delator) vai ter que provar. Os irm√£os Batista (Joesley e Wesley JBS) acabaram presos. Esse (Ivanildo Miranda, delator de Puccinelli) vai pagar R$ 3 milh√Ķes e n√£o tem prova de nada do que diz."

AE
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