Letalidade policial aumenta 20% no ano; Rio tem maior nÂș de casos
Roberta Pennafort
Rio
10/08/2018 07h56
As mortes decorrentes de açÔes policiais aumentaram 20,5% no PaĂ­s em 2017, atingindo um total de 5.144 vĂ­timas - e no Rio o Ă­ndice ficou 21,2% maior. Segundo o anuĂĄrio do FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica, houve 1.127 Ăłbitos causados por intervenção da polĂ­cia no a no passado - uma mĂ©dia de trĂȘs por dia -, ante 925 em 2016.

O levantamento confirmou uma estatĂ­stica jĂĄ conhecida: o Rio tem tambĂ©m o nĂșmero mais alto de policiais mortos. Em 2016, 87 foram vitimados (em serviço ou de folga); no ano seguinte, foram 104.

Isso significou uma elevação de 19,5%, quando no PaĂ­s, em mĂ©dia, o Ă­ndice de agentes de segurança assassinados caiu 4,9% no perĂ­odo, quando 367 agentes da ativa perderam a vida. Em 2018, jĂĄ foram mais de 60 policiais mortos, o que deve fazer com que o Estado mais uma vez detenha o recorde. Desde fevereiro deste ano, uma intervenção federal colocou a segurança pĂșblica do Rio sob comando das Forças Armadas.

A auxiliar de serviços gerais Rosilene Alves Ă© mĂŁe de Maria Eduarda, morta aos 13 anos no pĂĄtio de sua escola, na zona norte carioca, em março de 2017. A adolescente foi vĂ­tima de trĂȘs tiros de fuzil disparados por policiais. Ela crĂȘ que serĂĄ feita justiça. A garota foi vĂ­tima de disparos feitos por policiais contra suspeitos que estavam na rua. Um cabo da PM foi indiciado pelo crime."Nada mudou na conduta dos policiais. Eles continuam atirando. Olham para o morador da comunidade e nĂŁo veem criança, trabalhador. Agem como se todo mundo fosse traficante. Sou cristĂŁ e perdoei, mas queremos justiça."

CrĂ­ticas

Para a cientista social Silvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, o Rio deve bater marca histĂłrica de mortes em operaçÔes policiais neste ano. Ela espera reviravolta no projeto das Unidades de PolĂ­cia Pacificadora (UPPs), que reduziu os Ă­ndices de violĂȘncia, ainda que o governo esteja esvaziando o plano desde o ano passado. "Com a intervenção, a gente esperava que houvesse uma determinação de proteção da vida", lamentou. "Os problemas de segurança do Rio nĂŁo sĂŁo de outro mundo, Ă© preciso parar de afirmar que nada dĂĄ certo aqui. NĂŁo Ă© fĂĄcil, mas Ă© possĂ­vel reverter."

O coronel Robson Rodrigues, antropĂłlogo e ex-chefe do Estado-Maior da PM do Rio, nĂŁo acredita que a atual polĂ­tica de segurança seja aprimorada no curto prazo. A estratĂ©gia, segundo ele, tem mais ĂȘnfase no enfrentamento a tiros do trĂĄfico de drogas do que em açÔes pontuais e inteligentes contra o crime organizado. "O que vemos Ă© investimento em um erro, com baixas para todos os lados."

Outros Estados. A quantidade de mortos pelas Polícias Militar e Civil no Estado de São Paulo chegou a 940 no ano passado, mas a taxa por 100 mil habitantes é de 2,1. Taxas elevadas foram constatadas no Acre (4,6), no Parå (4,6) e no Amapå (6,6). As informaçÔes são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
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