Na c√ļpula da Otan, Trump ataca aliados e exige que UE gaste mais com Defesa
Andrei Netto, correspondente
Paris
12/07/2018 08h57
A rela√ß√£o entre EUA e Europa sofreu um novo abalo nesta quarta-feira, 11. O presidente americano, Donald Trump, atacou os europeus na abertura da c√ļpula da Organiza√ß√£o do Tratado do Atl√Ęntico Norte (Otan), em Bruxelas. Ele acusou a Alemanha de ser "ref√©m" da R√ļssia, em raz√£o de sua depend√™ncia energ√©tica, e chamou os aliados de "delinquentes" por gastarem pouco com Defesa.

"S√£o delinquentes para mim, porque os EUA tiveram de pagar por eles", disse Trump, durante caf√© da manh√£ com o secret√°rio-geral da Otan, Jens Stoltenberg, antes da c√ļpula. A cr√≠tica √© uma reivindica√ß√£o antiga do governo americano, incluindo do ex-presidente Barack Obama.

Os EUA querem que os europeus gastem no m√≠nimo 2% do PIB em Defesa at√© 2025, como acertado na c√ļpula do Pa√≠s de Gales, em 2014. Nesta quarta, por√©m, Trump exigiu que o acordo fosse cumprido "imediatamente". Em reuni√Ķes privadas, o presidente americano foi al√©m e sugeriu que os aliados deveriam gastar at√© 4% do PIB em Defesa - os EUA pagam 3,57%.

Ainda durante o encontro com Stoltenberg, Trump criticou duramente a Alemanha, que estaria, segundo ele, "nas m√£os da R√ļssia em raz√£o do g√°s natural e da energia que recebe por meio do gasoduto Nord Stream 2, que deve dobrar at√© 2020 a capacidade russa de exportar g√°s para os alem√£es.

"A Alemanha gasta 1% (na verdade 1,3%) e os EUA, 4% (na verdade 3,57%). E a Otan beneficia muito mais a Europa do que os EUA", reclamou o americano. "Para que serve a Otan se a Alemanha paga √† R√ļssia bilh√Ķes de d√≥lares por g√°s e energia?"

√Ä tarde, em Bruxelas, quando Angela Merkel e Trump estiveram frente a frente, o tom foi mais ameno. A alem√£ foi diplom√°tica ao responder √†s declara√ß√Ķes do americano. Ela lembrou que a Alemanha estava livre do controle russo desde a queda do Muro de Berlim e citou a pr√≥pria juventude na Alemanha Oriental para dizer que estava "feliz" por viver em liberdade. "N√≥s conduzimos nossas pol√≠ticas e podemos tomar decis√Ķes independentes", afirmou.

Já o americano nem parecia o mesmo. "Temos um relacionamento muito bom com a chanceler. Temos um relacionamento fantástico com a Alemanha", declarou o presidente. "Estamos tendo uma ótima reunião. Estamos discutindo gastos militares e falando sobre comércio."

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, foi mais veemente. "Senhor presidente, aprecie seus aliados, porque voc√™ n√£o tem tantos assim", disse o polon√™s. "O senhor n√£o deve ter d√ļvidas, senhor presidente, dinheiro √© importante, mas solidariedade genu√≠na √© mais."

A c√ļpula da Otan marca o in√≠cio de uma nova turn√™ de Trump pela Europa, onde ele se reunir√° com a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, e com o presidente da R√ļssia, Vladimir Putin, na ter√ßa-feira, na Finl√Ęndia.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, especialistas lembraram que sucessivos presidentes americanos reclamaram do nível de investimentos dos europeus em Defesa. A diferença, de acordo com eles, é que Trump tem, na realidade, objetivos comerciais por trás dos protestos.

O que mais incomoda o presidente americano seria o d√©ficit comercial de seu pa√≠s com a UE, de US$ 151 bilh√Ķes, e os programas de coopera√ß√£o na √°rea militar, que far√£o com que pa√≠ses como Fran√ßa e Alemanha comprem ainda menos material da ind√ļstria b√©lica americana no futuro.

"As cr√≠ticas j√° fazem parte da diplomacia de Trump. Suas declara√ß√Ķes v√™m sendo violentas contra os europeus para tentar mudar a pol√≠tica de investimentos na Otan", afirma Jean-Pierre Maulny, cientista pol√≠tico do Instituto de Rela√ß√Ķes Internacionais e Estrat√©gicas (Iris), de Paris.

"O principal objetivo √© n√£o s√≥ que os europeus aumentem suas despesas militares, mas que aumentem suas despesas militares em equipamentos dos Estados Unidos. √Č a mesma quest√£o do G-7. A seguran√ßa dos europeus n√£o lhe interessa muito, mas sim as quest√Ķes econ√īmicas e comerciais", concluiu Maulny.

Para Christian Lequesne, professor do Centro de Pesquisas Internacionais do Instituto de Estudos Pol√≠ticos de Paris (Sciences-Po), a rela√ß√£o entre Defesa e com√©rcio √© clara. "O que Trump faz √© estabelecer v√≠nculos entre os assuntos militares e outros, em especial o com√©rcio", explica. "Seu alvo preferencial, a Alemanha, o enerva porque mant√©m um super√°vit na balan√ßa comercial com os EUA." As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
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