‚ÄúO homof√≥bico, n√£o √© tratado com a seriedade que merece‚ÄĚ
Entrevistado: Tathiane Ara√ļjo, Secret√°ria nacional do segmento LGBT
Foto: Divulgação
13/03/2018 09h22

Tathiane Araújo é a primeira mulher trans a fazer parte da direção nacional do PSB. Eleita secretária nacional do segmento LGBT do partido, no último final de semana, Tathiane ocupará um dos 43 assentos na Comissão Executiva Nacional.

À frente da Secretaria, o principal desafio da socialista será sensibilizar deputados federais e senadores para a agenda LGBT e incentivar as gestões do PSB a formularem políticas públicas voltadas para essa parcela da população. Tathiane integra o Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT, órgão colegiado da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e preside a Rede Trans, organização não-governamental que representa pessoas travestis, transexuais e homens trans do Brasil.

Em entrevista disponibilizada ao Alô, ela fala um pouco sobre esse processo dentro da política.

Olho: “Precisamos trabalhar cada vez mais para tirar o Brasil da triste realidade de não ter nenhuma lei que garanta os direitos da população LGBT. E também levar boas proposições para as gestões do PSB”, afirma.

 

Como é ser a primeira mulher trans que representará a pauta LGBT numa instância superior do partido?

Tem dois vieses nessa questão. O primeiro é ter a responsabilidade de representar a pauta trans, que já é a mais sacrificada em termos de direitos, justamente por que a identidade de gênero é menos compreendida e causa grande exclusão social. Por outro lado, a grande responsabilidade de buscar o respeito e as mesmas conquistas que buscamos na sociedade também no campo partidário. Sou uma trans com experiência em outras instâncias que não tratam só da pauta da identidade de gênero. Sou conselheira nacional LGBT e presido, no meu estado, uma instituição LGBT local. Então tenho uma certa bagagem nessa representação, o que aumenta a minha responsabilidade no campo político partidário, sabendo que o PSB prega um socialismo com respeito às questões das minorias, com a propriedade de reconhecer o seu lugar nessa sociedade, que não é da exclusão, e sim do protagonismo. Isso é uma grande diferença para um partido.

Os partidos precisam dar mais apoio às pessoas LGBTs. Nós também precisamos qualificar mais o discurso justamente nos segmentos, na atuação dos nossos secretários nos estados. Precisamos fazer do PSB referência na qualificação de candidaturas LGBTs. Temos exemplos de pessoas trans e de gays. No nosso partido mesmo temos o Maurício, no Mato Grosso. Ele é um dos que mais se destaca com propostas apresentadas na Câmara de sua cidade, mostrando que LGBT não discute só a ‘caixinha LGBT’, só para a população LGBT, não. Mauricio faz um trabalho excelente e vasto na questão social do Mato Grosso. Fora outros exemplos no Brasil que nos fazem pensar na hora de, talvez, ter uma mulher trans, uma mulher lésbica, uma cidadão bissexual, assumidamente, discutindo e sendo referência nessa pauta na Câmara Federal. O PSB matura para essa realidade.

 

Qual a pauta prioritária LGBT no Congresso Nacional?

A criminalização da homofobia, com certeza, pela simbologia e pressão que isso fará contra a violência praticada contra LGBTs. A lei que criminaliza o racismo, por exemplo, é um instrumento para se fazer justiça ao discriminado. O homofóbico, por sua vez, não é tratado com a seriedade que merece. Então seria um grande passo pois talvez a ausência de uma lei que criminaliza a homofobia seja o maior responsável pelo fato de o Brasil liderar os casos de assassinatos de LGBTs no mundo. E aí dá pra dizer que o Congresso tem as mãos um pouco sujas desse sangue.

Da reda√ß√£o do Al√ī
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