ONU Se diz 'profundamente preocupada' com violência na eleição brasileira
Jamil Chade
Genebra
12/10/2018 12h56
A ONU diz "profundamente preocupada" com o clima de viol√™ncia nas elei√ß√Ķes brasileiras e pede que l√≠deres pol√≠ticos nacionais condenem explicitamente tais atos. Numa declara√ß√£o emitida nesta sexta-feira, 12, em Genebra, o Alto Comissariado das Na√ß√Ķes Unidas para os Direitos Humanos deixou claro que a situa√ß√£o brasileira tem sido considerada como "delicada" por parte do organismo internacional e pede investiga√ß√Ķes imparciais sobre os crimes registrados.

O acirramento da pol√≠tica em meio √† disputa eleitoral tem desembocado em epis√≥dios de viol√™ncia f√≠sica, facada contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) e at√© um assassinato. Nos √ļltimos dias, foram registrados no Pa√≠s diversos casos de agress√£o por motiva√ß√£o pol√≠tica.

Na capital baiana, depois de se envolver em uma discuss√£o na qual defendia o candidato petista, o mestre de capoeira Romualdo Ros√°rio da Costa, foi assassinado a facadas dentro de um bar.

Bolsonaro foi questionado sobre o assassinato. "A pergunta deveria ser invertida. Quem levou a facada fui eu. Se um cara lá que tem uma camisa minha comete um excesso, o que tem a ver comigo? Eu lamento, e peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle."

Na quarta-feira, ele voltou ao assunto em seu Twitter, j√° com um outro tom. "Dispensamos voto e qualquer aproxima√ß√£o de quem pratica viol√™ncia contra eleitores que n√£o votam em mim. A este tipo de gente pe√ßo que vote nulo ou na oposi√ß√£o por coer√™ncia, e que as autoridades tomem as medidas cab√≠veis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar." Mas, em uma segunda postagem, ele disse haver um "movimento orquestrado forjando agress√Ķes" para o prejudicar, "nos ligando ao nazismo, que, assim como o comunismo, repudiamos".

Na ONU, o apelo √© pelo respeito. "Condenamos qualquer ato de viol√™ncia e pedimos investiga√ß√Ķes imparciais, efetivas e imediatas sobre tais atos", declarou a porta-voz do escrit√≥rio da ONU, Ravina Shamdasani.

"O discurso violento e inflamat√≥rio dessas elei√ß√Ķes, especialmente contra LGBTI, mulheres, afrodescendentes e aqueles com vis√Ķes pol√≠ticas diferentes, √© profundamente preocupante, especialmente dado os relatos de viol√™ncia contra tais pessoas", disse Ravina.

"Pedimos a líderes políticos e aqueles com influência a publicamente condenar qualquer ato de violência durante esse período eleitoral delicado, e a chamar a todos os lados para que se expressem de forma pacífica e com o total respeito pelo direito dos demais", completou a porta-voz.

A declaração não cita nem o nome do candidato Jair Bolsonaro e nem o de Fernando Haddad. Há cerca de um mês, a ONU condenou a facada contra Bolsonaro e, já naquele momento, afirmou estar preocupada com a tensão vivida no País.

Nas √ļltimas semanas, o Brasil est√° sendo alvo de um acompanhamento espec√≠fico por parte das ag√™ncias da ONU no que se refere √†s elei√ß√Ķes presidenciais. O Estado apurou que a entidade decidiu fazer um monitoramento minucioso do que est√° ocorrendo no Pa√≠s, temendo que a principal democracia da Am√©rica Latina possa ser afetada por um clima de tens√£o pol√≠tica in√©dita desde os anos 80.

Escrit√≥rios da ONU que lidam com pol√≠tica regional ou direitos humanos tem feito o acompanhamento, com detalhes sobre a situa√ß√£o atual e cen√°rios. A informa√ß√£o tem servido de base para permitir que a c√ļpula da organiza√ß√£o em Nova Iorque e em Genebra esteja atualizada sobre os acontecimentos e possa, eventualmente, reagir com declara√ß√Ķes p√ļblicas.

O monitoramento n√£o significa qualquer tipo de envio de miss√£o internacional ou d√ļvidas sobre o processo eleitoral por parte da entidade.

Fontes de alto escalão da ONU indicaram à reportagem que dois temas principais estão sendo monitorados: incidentes de violência e tensão durante o processo eleitoral e o impacto que o resultado poderia ter em termos geopolíticos no hemisfério Ocidental já chacoalhado depois da chegada de Donald Trump no governo dos EUA.

Antes de deixar o cargo, no final de agosto, o então Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Zeid al Hussein, qualificou o discurso do candidato de "um perigo" para certas parcelas da população no curto prazo e para o "país todo" no longo prazo. Zeid foi substituído logo depois pela chilena Michelle Bachelet.

AE
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