PF prende Joesley e vice-governador de Minas na Operação Capitu
Fausto Macedo e Julia Affonso
S√£o Paulo
09/11/2018 08h17
A Pol√≠cia Federal prendeu nesta sexta-feira, 9, o empres√°rio Joesley Batista e o vice-governador de Minas Gerais Ant√īnio Andrade na Opera√ß√£o Capitu, um desdobramento da Lava Jato. A a√ß√£o mira em um suposto esquema que atuava na C√Ęmara dos Deputados e no Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (Mapa).

A Operação Capitu tem o apoio da Receita Federal. Estão sendo cumpridos 63 mandados judiciais de busca e apreensão e 19 mandados de prisão temporária, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Em nota, a PF informou que participam da operação 310 policiais federais nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, do Rio de Janeiro, de Mato Grosso, da Paraíba e no Distrito Federal.

A Pol√≠cia Federal informou ter instaurado um inqu√©rito policial em maio deste ano, baseado na dela√ß√£o premiada do corretor L√ļcio Bolonha Funaro, sobre supostos pagamentos de propina a servidores p√ļblicos e agentes pol√≠ticos que atuavam direta ou indiretamente no Mapa em 2014 e 2015. A PF apurou a atua√ß√£o de um esquema na C√Ęmara dos Deputados e no Mapa, integrada por empres√°rios e executivos de um grande grupo empresarial do ramo de processamento de prote√≠na animal.

Esse grupo dependia de normatiza√ß√Ķes e licenciamentos do Mapa e teria passado a pagar propina a funcion√°rios do alto escal√£o do minist√©rio em troca de atos de of√≠cio, que proporcionariam ao grupo a elimina√ß√£o da concorr√™ncia e de entraves √† atividade econ√īmica, possibilitando a constitui√ß√£o de um monop√≥lio de mercado.

As propinas eram negociadas, geralmente, com um deputado federal e entregues aos agentes pol√≠ticos e servidores do Mapa pelo operador L√ļcio Bolonha Funaro.

Entre os atos de of√≠cio praticados pelos servidores do Mapa destacam-se a expedi√ß√£o de atos normativos, determinando a regulamenta√ß√£o da exporta√ß√£o de despojos; a proibi√ß√£o do uso da ivermectina (droga contra parasitas) de longa dura√ß√£o; e a federaliza√ß√£o das inspe√ß√Ķes de frigor√≠ficos. O grupo empresarial teria pago R$ 2 milh√Ķes pela regulamenta√ß√£o da exporta√ß√£o de despojos e R$ 5 milh√Ķes pela proibi√ß√£o do uso da ivermectina de longa dura√ß√£o.

Segundo a PF, um deputado federal da Para√≠ba √† √©poca dos fatos teria recebido R$ 50 mil do grupo como contrapartida, em decorr√™ncia da tentativa de promover a federaliza√ß√£o das inspe√ß√Ķes sanit√°rias de frigor√≠ficos por meio de uma emenda, cujo objeto tinha natureza totalmente diversa do escopo da medida provis√≥ria n¬ļ 653/2014 na qual foi inserida.

Teria havido tamb√©m, por parte do grupo empresarial, o financiamento ilegal de campanha de um deputado federal para a presid√™ncia da C√Ęmara dos Deputados, em troca de atendimento dos interesses corporativos do grupo no Mapa, sendo de R$ 30 milh√Ķes o valor solicitado para tal financiamento.

Desse total, o deputado teria destinado R$ 15 milh√Ķes a um deputado federal mineiro de seu partido. A bancada mineira de seu partido tamb√©m teria recebido parte do montante, ap√≥s a lavagem do dinheiro. Esses valores teriam sido depositados pelo grupo em contas banc√°rias de seis escrit√≥rios de advocacia, que teriam repassado os valores lavados aos benefici√°rios finais, conforme determina√ß√£o do deputado federal mineiro e de seu operador, tamb√©m deputado federal.

Esses escrit√≥rios de advocacia teriam emitido notas fiscais frias, visto nunca ter havido qualquer presta√ß√£o de servi√ßo ao grupo empresarial. Uma das maiores redes de supermercado do Pa√≠s tamb√©m teria integrado a engrenagem de lavagem de dinheiro oriundo do esquema, repassando aos destinat√°rios finais os valores il√≠citos em dinheiro vivo e em contribui√ß√Ķes "oficiais" de campanha.

O total de doa√ß√Ķes "oficiais" feitas por empresas vinculadas e administradas por um empres√°rio do ramo de supermercados nas elei√ß√Ķes de 2014 totalizou quase R$ 8,5 milh√Ķes.

Durante as apura√ß√Ķes, segundo a PF, "houve clara comprova√ß√£o de que empres√°rios e funcion√°rios do grupo investigado - inicialmente atuando em colabora√ß√£o premiada com a PF - teriam praticado atos de obstru√ß√£o de justi√ßa, prejudicando a instru√ß√£o criminal, com o objetivo de desviar a PF da linha de apura√ß√£o adequada ao correto esclarecimento dos fatos". Da√≠ veio o nome da Opera√ß√£o, "Capitu", a personagem dissimulada da obra-prima de Machado de Assis, "Dom Casmurro".

Os envolvidos deverão ser indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentre outros. Caso haja condenação, as penas máximas poderão variar entre 3 e 120 anos de reclusão, proporcionalmente à participação de cada investigado.

AE
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