Planalto intervém para evitar apoio do PP a Ciro
Vera Rosa, Renan Truffi e Julia Lindner
Brasília
12/07/2018 11h00
O Pal√°cio do Planalto amea√ßa tirar cargos do PP no governo se o partido decidir apoiar o pr√©-candidato do PDT √† Presid√™ncia, Ciro Gomes. Terceira bancada da C√Ęmara, com 49 deputados, o PP √© o maior partido do Centr√£o e controla os minist√©rios da Sa√ļde, Cidades e Agricultura - com or√ßamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilh√Ķes -, al√©m de ter o comando da Caixa. A press√£o do Planalto e diverg√™ncias no bloco - tamb√©m formado por DEM, Solidariedade e PRB - mant√™m indefinida a posi√ß√£o do Centr√£o na disputa.

Em reuni√£o realizada nesta quarta-feira, 11, na casa do presidente da C√Ęmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os partidos que comp√Ķem o grupo n√£o chegaram a um acordo e escancararam a divis√£o interna. Al√©m das quatro siglas, participaram do almo√ßo na casa de Maia pol√≠ticos do PSC, do PHS e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, chefe do PR.

Antes do encontro, o presidente Michel Temer fez chegar ao PP o seguinte recado: "Vocês podem apoiar quem quiserem, menos Ciro Gomes". Em conversas reservadas, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, avisou, na semana passada, que trabalharia para que os "infiéis" perdessem os cargos. Auxiliares de Temer sabem que o PP não engrossará a campanha do pré-candidato do MDB, Henrique Meirelles, mas não querem ver o aliado aderindo ao rival.

Ciro chamou Temer, recentemente, de "quadrilheiro" e "ladrão". Disse ainda que ele será preso. O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), defende o aval ao pré-candidato do PDT, posição compartilhada por Maia e pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP), que dirige o Solidariedade. Uma parte do DEM, porém, quer fechar acordo com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) e o PRB negocia aliança com o tucano. "Estamos pondo as divergências à mesa para ver como conseguimos construir as convergências", disse o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro da Educação de Temer.

Balança

Na pr√°tica, o apoio do Centr√£o √© visto como fiel da balan√ßa na disputa ao Planalto. Se todos os partidos estiverem juntos, a avalia√ß√£o do pr√≥prio governo √© de que o grupo pode desequilibrar o jogo em favor de um candidato. √Č por esse motivo que o Planalto age para evitar que o PP fique com Ciro.

O dote eleitoral oferecido pelo bloco √© de, no m√≠nimo, 4 minutos e 12 segundos por dia no hor√°rio eleitoral de r√°dio e TV, que come√ßa em 31 de agosto. Somente as quatro legendas - DEM, PP, Solidariedade e PRB - re√ļnem 124 deputados e t√™m palanques importantes, principalmente no Nordeste e no Sudeste. Embora o maior partido do grupo seja o PP, a for√ßa do DEM pode ser medida pelo comando da C√Ęmara, zona de influ√™ncia que a sigla quer manter na pr√≥xima legislatura.

√Äs v√©speras das conven√ß√Ķes para oficializar os candidatos, esta quarta-feira foi marcado por muitas negocia√ß√Ķes de bastidores. Ap√≥s o encontro do Centr√£o, por exemplo, Alckmin foi ao Congresso e se reuniu a portas fechadas com Ciro Nogueira. Pediu apoio, mas n√£o obteve resposta. Presidente do PSDB, o tucano oferece a vice na chapa para quem fizer dobradinha com ele. "Queremos estar juntos para ganhar a elei√ß√£o e tamb√©m para governar", disse Alckmin.

Na outra ponta, Valdemar Costa Neto se encontrou com o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), e com o ex-ministro Jaques Wagner, que solicitaram a chancela do PR ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato.

O PR est√° propenso a se unir ao deputado Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas em um cen√°rio sem Lula. Na reuni√£o desta quarta com o Centr√£o, por√©m, Costa Neto acenou com a possibilidade de indicar o empres√°rio Josu√© Gomes (PR) como vice na chapa de um candidato avalizado pelo Centr√£o, se as negocia√ß√Ķes com Bolsonaro e o PT n√£o prosperarem. Josu√© √© filho do ex-vice-presidente Jos√© Alencar, morto em 2011.

O presidente do PRB, Marcos Pereira, deixou o encontro criticando os colegas. "A bancada do PRB está cansada de ser usada. Os partidos maiores querem usar o tempo do partido e a estrutura, mas não há reciprocidade. Todo mundo se fortalece e a gente continua na mesma", atacou Pereira, que é ex-ministro do governo Temer.

Em p√ļblico, ele defendeu o apoio ao pr√©-candidato do PRB, Fl√°vio Rocha, embora nos bastidores o partido queira emplacar o empres√°rio como vice em alguma chapa. "A reciprocidade que falta √© o espa√ßo devido pelo que representamos", afirmou o l√≠der do PRB na C√Ęmara, Celso Russomanno (SP). "A gente n√£o est√° pedindo minist√©rio A, B ou C, mas o espa√ßo que temos (no governo Michel Temer) √© pouco." As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
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