Procuradoria denuncia prefeitos de Mongagu√° e Mau√° por lavagem de dinheiro
Luiz Vassallo e Gabriel Wainer, especial para AE
S√£o Paulo
13/06/2018 20h33
O Minist√©rio P√ļblico Federal denunciou criminalmente os prefeitos de Mongagu√°, Arthur Parada Pr√≥cida (PSDB), e de Mau√°, √Ātila Jacomussi (PSB), por lavagem de dinheiro na Opera√ß√£o Prato Feito - investiga√ß√£o sobre desvios de recursos p√ļblicos federais em contratos da merenda escolar em pelo menos 30 munic√≠pios paulistas.

Pr√≥cida e Jacomussi foram presos em flagrante em maio na posse de fortunas em dinheiro vivo - na casa do tucano a Pol√≠cia Federal apreendeu R$ 4,61 milh√Ķes e mais US$ 217 mil, tudo em dinheiro vivo. Na casa de Jacomussi, a PF encontrou R$ 87 mil em esp√©cie, dos quais R$ 80 mil estavam escondidos na cozinha, dentro de uma panela.

Também foi denunciado o secretário de Governo e Transporte de Mauá, João Eduardo Gaspar, este flagrado com R$ 588.417,00, 2.985 euros e US$ 1.300.

A den√ļncia foi levada ao Tribunal Regional Federal da 3¬™ Regi√£o (TRF-3), Corte que det√©m compet√™ncia para eventualmente processar prefeitos em casos de desvios de verbas p√ļblicas da Uni√£o. A acusa√ß√£o √© da Procuradoria Regional da Rep√ļblica da 3¬™ Regi√£o (PRR-3).

Pr√≥cida e Jacomussi tamb√©m s√£o alvo de inqu√©ritos espec√≠ficos por fraude em licita√ß√Ķes e corrup√ß√£o.

A Procuradoria destaca que os prefeitos de Mongaguá e Mauá, além do secretário de Governo de Mauá, foram presos "ocultando grande quantidade de dinheiro em espécie em suas residências, durante a deflagração da operação Prato Feito, que investiga fraudes em processos licitatórios para aquisição de merenda e material escolar em diversas cidades paulistas".

Grampos telef√īnicos no curso da investiga√ß√£o "permitiram identificar v√°rios n√ļcleos empresariais atuando paralelamente para fraudar procedimentos licitat√≥rios e gerar contratos superfaturados e, assim, desviar recursos p√ļblicos".

"H√° fortes ind√≠cios da participa√ß√£o de agentes p√ļblicos nessas fraudes e no crime de corrup√ß√£o, sendo que ora alguns prefeitos mantinham contato direto com os suspeitos, ora servidores o faziam sob orienta√ß√£o desses chefes do executivo municipal", sustenta a Procuradoria.

"A contrapartida de muitas dessas condutas ilícitas é o pagamento de vantagens indevidas, incluindo financiamento de campanha eleitoral."

As investiga√ß√Ķes apontam que um empres√°rio, Carlos Zeli Carvalho, propriet√°rio da Reverson Ferraz da Silva - ME, teria repassado recursos a Gaspar, "que agia como representante do prefeito de Mau√°". A Reverson, em 2017, firmou contrato com a prefeitura de Mau√° para fornecimento de uniforme escolar, no valor de R$ 8,34 milh√Ķes.

Arthur Prócida, o prefeito de Mongaguá, também foi preso com fortuna escondida dentro de um guarda-roupas em sua residência. Ele afirmou que os valores se referiam a "aluguéis recebidos", mas depois mudou a versão, dizendo que eram "sobras de campanha eleitoral".

Segundo apontam as investiga√ß√Ķes da Prato Feito, o mesmo empres√°rio que repassou dinheiro para o prefeito de Mau√° transferiu valores para Pr√≥cida.

A Procuradoria destaca que em 2017, duas empresas de vestu√°rio e com√©rcio, representadas por Carlos Zeli Carvalho, mantiveram contratos com a prefeitura em valores acima de R$ 25 milh√Ķes.

Defesas

A reportagem está tentando contato com a defesa do prefeito de Mongaguá, Arthur Parada Prócida (PSDB), mas ainda não obteve retorno.

As defesas do prefeito de Mau√°, √Ātila Jacomussi, e de Jo√£o Eduardo Gaspar afirmaram que n√£o tiveram acesso a den√ļncia e que, em raz√£o disso, n√£o comentariam.

A reportagem n√£o localizou o empres√°rio Carlos Zeli Carvalho.

AE
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