Programa de Doria doa alimento reprocessado a pessoas carentes
Bruno Ribeiro e Pedro Venceslau
S√£o Paulo
12/10/2017 17h11
A gestão João Doria lançou nesta semana o programa Alimento para Todos, que prevê a distribuição de um composto, feito com base em alimentos que não seriam comercializados, para a população carente da capital paulista. No vídeo em que apresenta o programa, Doria mostra um biscoito feito com o composto, o que gerou críticas nas redes sociais, onde o alimento foi chamado de "ração" e "granulado".

"Aqui você tem alimentos que seriam jogados no lixo e que são reaproveitados, com toda a segurança alimentar. São liofilizados (desidratados a baixa temperatura para conservação) e transformados em um alimento completo: em proteínas, vitaminas e sais minerais. A partir do mês de outubro, começa a sua distribuição gradual, por várias entidades do terceiro setor. Igrejas, templos, a sociedade civil organizada, além da Prefeitura de São Paulo, para oferecer às pessoas que têm fome", disse o prefeito, em um vídeo postado em suas redes sociais. "Em São Paulo inicialmente, e depois em todo o Brasil", completou o prefeito.

Em Mil√£o, o prefeito rebateu as cr√≠ticas. Disse que elas eram fruto de "total falta de conhecimento". "(As cr√≠ticas) s√£o essa coisa que o Brasil tem de colocar ideologia e partidarismo nas coisas. Aquilo foi desenvolvido por cientistas. √Č um trabalho de anos. Foi submetido √† Prefeitura com todo o respaldo de cientistas. O alimento liofilizado dura anos. √Č o mesmo que os astronautas consomem em miss√Ķes espaciais. √Č bom. Eu experimentei. Tem v√°rios sabores", afirmou.

O Alimento para Todos √© resultado de um projeto de lei do vereador Gilberto Natalini (PV), que foi secret√°rio do Verde de Doria mas saiu ap√≥s desentendimentos com a gest√£o do tucano. O vereador defendeu o programa, mas n√£o a apresenta√ß√£o do granulado. "O programa √© s√©rio, existe h√° anos, eu acompanho o desenvolvimento h√° dez anos. A ideia √© reaproveitar alimentos para a produ√ß√£o de uma farinata. √Č essa farinata que, depois de embalada, dura at√© um ano. Da farinata se fazem bolos, massas para macarr√£o e biscoitos, com a adi√ß√£o de sabores", disse. "O prefeito foi deselegante em lan√ßar o programa, que nasceu de um projeto de lei, sem citar o autor do projeto", disse.

A Secretaria Executiva de Comunica√ß√£o da Prefeitura disse que os alimentos usados n√£o estariam perto da data do vencimento. Afirmou se tratar de comida "de boa qualidade, mas que seria dispensada por mercados, sacol√Ķes e ind√ļstria".

"Não é um alimento para ser consumido sozinho, mas um reforço nutricional. Não há definição de como será distribuído", diz o texto. A Prefeitura disse que ainda não há definição sobre como será feita a distribuição do alimento. "Este programa está vinculado à Política Municipal de Erradicação da Fome e de Promoção da Função Social dos Alimentos que ainda está sendo elaborada", completa a nota.

O endocrinologista e nutr√≥logo da Universidade Federal de S√£o Paulo (Unifesp) Jo√£o Cesar Castro afirma que, em se tratando da popula√ß√£o de rua de S√£o Paulo, h√° outras quest√Ķes a serem analisadas al√©m da falta de acesso a alimentos. "H√° pessoas que podem ser alco√≥latras, terem problemas com drogas, e essas s√£o coisas que tiram o apetite, fazem a pessoa n√£o ter fome. √Č mais do que n√£o ter acesso √† comida. H√° uma s√©rie de entidades, organiza√ß√Ķes que fazem distribui√ß√£o de alimentos, com sopas nutritivas feitas com carne, al√©m de programas como o Bom Prato, que oferece alimentos a pre√ßos acess√≠veis", lembra.

AE
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