Entrevista
“Quando a sociedade acompanha as dificuldades da gestão, ela é muito mais parceira
O deputado distrital Wasny de Roure que no primeiro semestre deste ano, se posicionou contrário a duas das maiores proposições discutidas em 2017: o aumento das passagens de ônibus e a criação do Instituto Hospital de Base, contou ao Alô sobre a sua atuação na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ele fala sobre o governo de Rodrigo Rollemberg e aponta falhas que estão comprometendo a boa gestão de recursos públicos do DF.
Foto: Divulgação
Erika Manhatys
17/07/2017 08h05

O que o deputado fez neste primeiro semestre que considera mais relevante?

Eu considero relevante o debate da transferência da gestão do Hospital de Base para uma gestão privatizada, conferindo ao instituto plenas liberdades para gastar sem a preocupação se o recurso terá previsão na Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO), se é oriundo do Ministério da Saúde ou se é da fonte do Tesouro do DF. Nem como será o sistema de controle, o concurso público e como os benefícios fiscais poderão ser utilizados nesta nova reformulação. É preocupante, pois o Hospital de Base é a nossa principal unidade de saúde, ela precisa estar funcionando a pleno vapor, lá existem especialidades que não existem a disposição da sociedade em outros hospitais. No entanto, o governo decidiu utilizar nosso principal hospital para testar uma modelagem que ele ainda não sabe como irá se comportar.

Houve algum projeto que não conseguiu concretizar?

Sim, diversos projetos. Mas eu considero que a falta de uma maior transparência na gestão dos recursos públicos, um maior debate e uma maior participação da sociedade nas questões do governo foram as principais faltas. É necessário entender que a crise não é apenas para constranger e tirar direitos, ela serve como oportunidade de avaliação de tudo aquilo que não está sendo bem executado. Perdemos essa oportunidade de avaliação daquilo que poderia ser aperfeiçoado. É bem verdade que em alguns espaços a crise está ajudando a repensar saídas criativas, mas poucos gestores no DF que têm tido esta sensibilidade.

Após o recesso, quais são as suas prioridades na CLDF?

Queremos continuar fazendo um debate de apoio às escolas públicas e às unidades de saúde, que precisam ser mais visitadas e mais acompanhadas. É necessário entender os pontos de estrangulamento e tentar maximizar a utilização dos escassos recursos públicos. Eu tenho me preocupado em ver recursos sendo canalizados para escolas, unidades hospitalares e centros de saúde para resolver pequenas necessidades que refletirão diretamente na qualidade do serviço público prestado. Para isso, precisamos votar o projeto de descentralização financeira, como é o caso Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), fazer uma revisão no Programa de Descentralização Progressiva das Ações de Saúde (PDPAS) e dar a ele maior volume de recursos e maior flexibilidade com o devido acompanhamento por parte dos órgãos de controle.

Quanto ao governo Rollemberg, qual o seu posicionamento? E o que o senhor faria diferente do governador?

A grande dificuldade do governo Rollemberg é entender que dificuldade financeira, todo governante pode vivenciar. Dialogar, encontrar saídas junto com a sociedade e ser mais solidário à própria população são pontos que o governo deve observar. É preciso compreender que quando a sociedade entende e acompanha as dificuldades da gestão, ela é muito mais parceira. Um ponto que me assusta é a maneira como governo gerencia a questão da necessidade de moradia. Não podemos incriminar o pobre que tem a necessidade de moradia como um agente pernicioso na sociedade. O Estado existe para conferir a estes carentes uma saída para sua problemática. Então, a moradia não pode ser vista como uma política criminosa, o governo tem que repensar esta atitude de recriminar um cidadão que ocupou ou está morando em área pública por não encontrar outra solução senão esta. Ou seja, o governo precisa urgentemente de uma política pública de moradia popular mais firme e mais criativa. Inclusive, eu sugiro convênios com cidades ao derredor de Brasília para ajuda equacionar este problema, pois as derrubadas e demolições não são a saída para resolver o problema de moradia. Até porque o morador não é um ser invisível.

E para 2018, quais são suas expectativas e pretensões?

Creio que nós estamos vendo um quadro de descredenciamento da política, de perda de credibilidade dos gestores. A incapacidade de entender que as dificuldades podem nos dar lições diferenciadas e como devemos encontrar saídas para os nossos problemas. Acredito que as proposições políticas não deverão ser baseadas em insinuações de facilidade com a coisa pública. Tem que fazer o debate da complexidade da gestão pública, da insuficiência dos recursos e da criatividade como forma principalmente de envolvimento da sociedade nas soluções dos problemas. E pra isso, 2018 deve servir como espaço e como momento criativo para aqueles se colocarão na vida pública no DF. A sociedade tem sido constante vítima de falsas promessas e mentiras infundadas, promessas de oferta do paraíso na administração pública. A população está consciente de que este tipo de proposta não tem mais espaço na nossa sociedade.

da Redação do Alô
Comentários

Carregando notícias...
COPYRIGHT © - PORTAL ALÔ - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
ANUNCIE | FALE CONOSCO | COMERCIAL | EXPEDIENTE | TRABALHE CONOSCO