Raquel cita informa√ß√Ķes financeiras suspeitas em inqu√©rito contra Serra
Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura
Brasília
10/08/2018 21h55
Ao refor√ßar o pedido para que o inqu√©rito contra o senador Jos√© Serra (PSDB) seja encaminhado √† primeira inst√Ęncia, a procuradora-geral da Rep√ļblica Raquel Dodge afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que h√° documentos obtidos na investiga√ß√£o que "necessitam ter o fluxo mais detalhado". A apura√ß√£o foi aberta com base na dela√ß√£o da Odebrecht, em rela√ß√£o as obras do Rodoanel.

Raquel se refere a informa√ß√Ķes financeiras obtidas atrav√©s de coopera√ß√£o jur√≠dica internacional, com autoridades su√≠√ßas. "Memorando n¬ļ 74/2018/ALJ/SCIIPGR, com cumprimento parcial das informa√ß√Ķes requeridas √†s autoridades Su√≠√ßas. H√° informa√ß√Ķes financeiras, que necessitam ter o fluxo mais detalhado, at√© do ano de 2014", especifica a procuradora.

Na manifesta√ß√£o, a procuradora n√£o detalha se os documentos implicam Serra, e ainda afirma que o envio das informa√ß√Ķes pelas autoridades su√≠√ßas "abre espa√ßo para a investiga√ß√£o avan√ßar em rela√ß√£o a outros indiv√≠duos que n√£o possuem foro por prerrogativa de fun√ß√£o". Advogada do senador, Flavia Rahal afirmou em nota que "a manifesta√ß√£o da Procuradoria-Geral da Rep√ļblica deixa claro que as investiga√ß√Ķes n√£o devem prosseguir em rela√ß√£o ao Senador Jos√© Serra", e que a defesa aguarda o arquivamento do inqu√©rito.

No parecer da PGR, tamb√©m √© citado um memorando com detalhamentos de movimenta√ß√Ķes financeiras de quatro empresas "possivelmente utilizadas para a movimenta√ß√£o de valores il√≠citos", com dados at√© 2013/2014.

Raquel ainda acentua que, "para comprovar a atualidade das diligências", o memorando mais recente é de 31 de julho.

"Por certo, a investiga√ß√£o deve avan√ßar em rela√ß√£o a eles (suspeitos que n√£o tem foro), ainda que n√£o tenha rela√ß√£o com Jos√© Serra, cabendo notar que as v√°rias movimenta√ß√Ķes, inclusive entre as pessoas jur√≠dicas noticiadas ainda exigir√° an√°lise e, muito provavelmente, amplia√ß√£o das quebras, a abarcar outros pa√≠ses, v.g, Bahamas, Ilhas Virgens Brit√Ęnicas e Canad√°", completa Raquel.

No inquérito, Serra é investigado por suposto recebimento de propina nas obras do Rodoanel, com base em delação de sete ex-executivos da empreiteira.

"Conforme o Minist√©rio P√ļblico, relatam os colaboradores a ocorr√™ncia de ajuste de mercado entre as empresas Andrade Gutierrez, Galv√£o Engenharia, Camargo Correa, Serveng Civilsan, OAS, Mendes Junior, Queiroz Galv√£o, CR Almeida, Constran e Odebrecht objetivando frustrar o car√°ter competitivo de processo licitat√≥rio associado √† constru√ß√£o do Rodoanel Sul, no Estado de S√£o Paulo", afirmou o ministro Edson Fachin ao abrir o inqu√©rito no ano passado. Atualmente, a apura√ß√£o √© relatada pelo ministro Gilmar Mendes.

Em junho, Serra pediu o arquivamento do inquérito, alegando que não existe prova documental contra ele. "Os delatores, em relação a tais fatos, limitaram-se a fazer juntar aos autos tabelas que acompanharam seu acordo de colaboração", diz a defesa.

Em depoimento √† Pol√≠cia Federal, o ex-presidente da Odebrecht e delator na Opera√ß√£o Lava Jato Pedro Novis afirmou que Serra recebeu para si ou solicitou para o partido R$ 52,4 milh√Ķes entre 2002 e 2012.

A Gilmar, na manifestação assinada nesta quarta-feira, 8, Raquel ressalta que o cruzamento dos dados recentemente obtidos e os elementos colhidos "ainda nem começou", e que o exame, contudo, deve ser feito sob a jurisdição de uma das Varas Federais Criminais da Justiça Federal de São Paulo, e não do STF.

AE
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