Remédio contra leucemia comprado pelo governo é pouco eficaz, aponta estudo
Ligia Formenti
Brasília
14/03/2018 09h40
Apesar da pol√™mica, o Minist√©rio da Sa√ļde vai manter o processo de compra de um medicamento apontado por especialistas como pouco eficaz para tratar crian√ßas com leucemia. A pasta anunciou que a compra do L-asparginase, produzido por um laborat√≥rio chin√™s, ser√° mantida para atender pacientes de hospitais do SUS. J√° institui√ß√Ķes credenciadas e hospitais filantr√≥picos receber√£o verba para adquirir os rem√©dios que acharem mais convenientes.

Nesta semana, estudo do Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico especializado em oncologia de Campinas, indicou que o L-asparginase não tem qualidade para uso em humanos. O trabalho foi publicado na revista EBioMedicine. "O produto tem eficácia comprometida e seu uso é uma imperícia ética e moral", diz a presidente do Centro Boldrini, Silvia Brandalise.

O L-asparginase √© comprado desde 2013 pelo governo para pacientes com leucemia mieoloide aguda. O rem√©dio substituiu o asparginase, fabricado por uma ind√ļstria alem√£.

O resultado do estudo de Campinas √© questionado pelo minist√©rio. Segundo a pasta, o trabalho foi feito com um pequeno n√ļmero de camundongos e os achados obtidos n√£o podem ser extrapolados para humanos. Silvia discorda. "N√£o h√° como fazer o teste em humanos, por quest√Ķes √©ticas. Sobretudo porque resultados foram ruins com animais."

O ministério ainda diz que a publicação não se refere ao resultado de estudo científico e, sim, a um manuscrito de interpretação exclusiva do Boldrini, sem que outras entidades científicas tenham atestado.

A compra do L-asparginase foi feita com base no menor preço. O objetivo era ofertar tratamento para 4 mil crianças.

A an√°lise do Boldrini avaliou a presen√ßa de impurezas e a bioequival√™ncia do medicamento. Como compara√ß√£o, foi usado o rem√©dio alem√£o. O medicamento chin√™s apresentou 398 contaminantes, muito acima dos 3 do alem√£o. A quantidade de impurezas, diz Silvia, eleva expressivamente o risco de rea√ß√Ķes al√©rgicas, al√©m de comprometer a a√ß√£o da droga. As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

AE
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