Segurança impede homem de comprar comida para menino em shopping
Hyndara Freitas
13/06/2018 18h28
Na √ļltima segunda-feira, 11, um homem tentou comprar comida para um menino em um restaurante da pra√ßa de alimenta√ß√£o do Shopping da Bahia, em Salvador, mas foi impedido por um seguran√ßa do local. O momento foi gravado e publicado nas redes sociais, e o shopping est√° sendo criticado por racismo - o menino era negro e supostamente morador de rua.

"Eu t√ī querendo dar o almo√ßo ao menino e o seguran√ßa t√° falando que vai me tirar do shopping a for√ßa, vai tirar o menino. Eu vou pagar, ele vai comer. Eu queria ver se fosse seu filho que estivesse na rua passando fome, ele vai comer, vai comer sim. Quem t√° pagando sou eu. Eu vou pagar, por que ele n√£o vai comer? Voc√™ vai chamar quem voc√™ quiser e 'bora' ver se eu vou sair daqui", disse Kaique Sofredine, homem que tentava comprar o lanche, no v√≠deo.

"Esse é meu trabalho", justifica o segurança em outro momento do vídeo, enquanto fica na frente do restaurante impedindo a compra do alimento. Posteriormente, outros seguranças chegam ao local, e após muita discussão, o homem consegue realizar a compra.

Kaique publicou o vídeo no Facebook e se mostrou revoltado com o ocorrido. "Fui pagar um almoço pra uma criança e o segurança disse que ele não iria comer. Foi uma longa discussão até chamar o supervisor dele e. por fim, o supervisor deixar o menino comer no shopping", escreveu ele no post.

No dia seguinte ao ocorrido, o Minist√©rio P√ļblico da Bahia instaurou inqu√©rito para apurar a a√ß√£o do seguran√ßa para apurar a responsabilidade do shopping "em poss√≠vel pr√°tica de racismo institucional". O Grupo de Atua√ß√£o Especial de Prote√ß√£o dos Direitos Humanos e Combate √† Discrimina√ß√£o (GEDHDIS) determinou um prazo de dez dias para que o estabelecimento preste esclarecimentos.

"Depois de instru√≠do (por meio da coleta de informa√ß√Ķes e depoimentos), o procedimento poder√° resultar em uma recomenda√ß√£o, Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou at√© uma a√ß√£o civil p√ļblica contra o shopping, inclusive por eventuais danos morais individuais ou coletivos decorrentes da atua√ß√£o do seguran√ßa", afirmou a promotora L√≠via Vaz. Ela ainda explicou que a investiga√ß√£o na esfera civil n√£o afasta a responsabiliza√ß√£o criminal.

Em nota, o Shopping da Bahia pediu desculpas pelo ocorrido e informou que o funcion√°rio "foi afastado de atividades relacionadas a atendimento p√ļblico" e que foi "advertido e segue para uma nova rodada de cursos e adapta√ß√Ķes". Confira a nota na √≠ntegra abaixo:

"O Shopping da Bahia vem a p√ļblico, mais uma vez, pedir desculpas pelo ocorrido. Ap√≥s uma reuni√£o nesta ter√ßa-feira, o empreendimento decidiu pelo afastamento do profissional de atividades relacionadas a atendimento ao p√ļblico. Mesmo n√£o tendo nenhuma orienta√ß√£o do Shopping que suporte as a√ß√Ķes tomadas pelo profissional, optamos por trabalhar a sua reabilita√ß√£o. Al√©m disso, ele foi advertido e segue para uma nova rodada de cursos e capacita√ß√Ķes.

Reforçamos também que, neste momento, é necessário esclarecer diversos pontos que vem sendo abordados em torno do fato.

1 - Nossos seguran√ßas recebem treinamentos peri√≥dicos, n√£o apenas com conte√ļdo t√©cnico, mas tamb√©m conte√ļdo sobre o contexto social que vivemos. Em 2017, toda a equipe do empreendimento recebeu treinamento de autoridades nacionais em temas como racismo, diversidade e enfrentamento de temas de alta relev√Ęncia para nossa opera√ß√£o. Entre os especialistas que estiveram com a nossa equipe, est√£o lideran√ßas como o professor H√©lio Santos, presidente do Instituto Brasileiro da Diversidade, e a vice-presidente do F√≥rum Nacional de Gestores LGBT, Bruna Lorrane.

2 - N√£o h√° e nem nunca houve nenhuma orienta√ß√£o para uma abordagem que fosse al√©m de coibir a√ß√Ķes de com√©rcio informal e de pessoas (crian√ßas e adultos) que tentam abordar clientes com pedidos de dinheiro, alimentos ou produtos. A decis√£o do cliente √© soberana e tem que ser respeitada, sem nenhuma a√ß√£o violenta ou que gere constrangimento. Atuamos em parceria di√°ria com √≥rg√£os como Conselho Tutelar, Juizado de Menores, Instituto IRIS, Pol√≠cias Civil e Militar, e a orienta√ß√£o √© sempre pelo cumprimento da lei e respeito aos direitos humanos;

3 - O shopping repudia qualquer acusação de racismo institucional, e temos orgulho da nossa relação com o povo de Salvador, suas matrizes culturais, étnicas e sociais.

Encerramos, pedindo mais uma vez, desculpas e lamentando o ocorrido. As desculpas são direcionadas a todos os que se sentirem tristes e ofendidos com o fato, mas especialmente aos envolvidos e suas famílias."

AE
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