Tel√£o circula pelo Rio com a pergunta 'Quem matou Marielle?'
Roberta Pennafort
Rio
14/09/2018 14h53
Os seis meses do assassinato da vereadora e ativista de direitos humanos Marielle Franco (PSOL) e a falta de uma resposta da polícia para o crime estão sendo lembrados nesta sexta-feira, 14, pela família e a Anistia Internacional. Um telão de cinco metros de largura foi instalado num caminhão com dizeres como a pergunta "Quem matou Marielle?".

O ve√≠culo ir√° percorrer durante a tarde diferentes pontos da cidade, como os pr√©dios do Minist√©rio P√ļblico (MP), da Secretaria de Seguran√ßa P√ļblica e do Comando Militar do Leste, cobrando explica√ß√Ķes como forma de pressionar as autoridades das for√ßas de seguran√ßa. No M√™s passado, o grupo de promotores encarregado foi trocado pelo MP.

Marielle foi executada a tiros na noite de 14 de mar√ßo, junto com seu motorista Anderson Gomes, quando sa√≠a de um debate. O Estado do Rio j√° estava sob interven√ß√£o federal na seguran√ßa desde 16 de fevereiro. A pol√≠cia n√£o divulga qualquer informa√ß√£o sobre os autores, os mandantes e a motiva√ß√£o. Foi um crime pol√≠tico e h√° suspeita de envolvimento de agentes p√ļblicos e de milicianos.

Toda a investigação é mantida em sigilo desde o começo, tanto pela esfera estadual, quanto pela federal - o que os ativistas contestam, diferenciado segredo e silêncio por parte das autoridades. A família - pais, irmã e filha - já foi recebida nos gabinetes, mas segue sem ter notícias.

O temor da Anistia Internacional é com o tempo decorrido. A cada dia ficará mais difícil de se elucidar o crime, porque os rastros vão sendo apagados, acredita a representação da ONG no Brasil. Por isso, a frase de ordem é "sem pressão não haverá solução".

A Anistia não vê vontade política para solucionar os homicídios. A coordenadora de pesquisa, Renata Neder, considera inadmissível o tratamento dado pelo governo ao caso. "Um assassinato que ganhou repercussão internacional, de uma defensora dos direitos humanos tão conhecida, a quinta vereadora mais votada da segunda maior cidade do País, não ter sido solucionado é o atestado da ineficiência e incapacidade do sistema de justiça criminal brasileiro. O assassinato não foi só da Marielle, ela atuava institucionalmente", afirmou.

"O nível de sofisticação desse crime também revela que quem está por trás é alguém com muito poder, porque agiu num Estado que já estava sob intervenção federal, os olhos do País aqui. Quem cometeu desafiou tudo isso, tinha muita certeza da impunidade. Este Estado não investiga homicídios, menos ainda os que têm participação de policiais. Com a troca do grupo de promotores, esperamos que atuem com afinco. O MP tem função dupla, de investigar e de exercer o controle externo da atividade policial".

AE
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