Temer dividiu propina da Odebrecht com Geddel, diz Funaro em delação
Fabio Serapi√£o e F√°bio Fabrini
Brasília
13/09/2017 14h15
O corretor L√ļcio Funaro disse em sua dela√ß√£o premiada que o presidente da Rep√ļblica, Michel Temer, dividiu com Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-homen forte de seu governo, propina da Odebrecht. Nos anexos de sua colabora√ß√£o, j√° homologada pelo Supremo, ele afirmou ter buscado R$ 1 milh√£o em esp√©cie, supostamente pagos pela empreiteira, no escrit√≥rio do advogado e ex-deputado Jos√© Yunes, amigo de Temer. Relatou tamb√©m ter mandado a quantia para Geddel, na Bahia.

As declara√ß√Ķes de Funaro coadunam com a vers√£o apresentada pelo ex-diretor de Rela√ß√Ķes Institucionais da Odebrecht Cl√°udio Mello Filho em sua dela√ß√£o. Ele relatou ter negociado com Temer e seus aliados, entre eles o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), doa√ß√Ķes de caixa 2 para campanhas em 2014, no total de R$ 10 milh√Ķes.

Parte desse valor teria sido distribu√≠da por meio de Yunes, apontado como um dos "operadores" do presidente. √Ä Procuradoria-Geral da Rep√ļblica (PGR), Yunes j√° disse ter sido usado como "mula" de Padilha para a entrega de um pacote.

Conforme Funaro, dirigentes da Odebrecht usaram o doleiro √Ālvaro Novis para fazer com que os valores destinados a Temer chegassem a Yunes. Ele contou que, na ocasi√£o, recebeu um telefonema de Geddel pedindo que retirasse R$ 1 milh√£o, a ser entregue em Salvador.

Geddel "informou que o dinheiro que iria retirar com José Yunes era referente a uma doação via caixa 2 da Odebrecht, acertada juntamente (com) Eliseu Padilha e Michel Temer", diz trecho do anexo intitulado "Intermediação de Pagamentos de Propinas para Interpostos do Presidente", obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

"Estes valores eram de Michel Temer, o qual estava enviando uma parte do dinheiro arrecadado para Geddel", continua o documento. Foi Geddel, segundo Funaro, quem lhe passou o telefone de Yunes. A retirada, segundo ele, foi feita no escrit√≥rio do advogado no Itaim Bibi, em S√£o Paulo. No local, ap√≥s uma conversa com Yunes, na qual teriam trocado cart√Ķes, uma caixa com a quantia acertada teria sido repassada pela secret√°ria e o motorista do amigo de Temer.

Funaro, então, disse que retornou com os valores até o seu escritório e pediu para que um funcionário fosse até a Bahia levar a encomenda para Geddel. "O dinheiro foi entregue em Salvador por um funcionário de logística de transporte de valores do doleiro Tony, o qual retirou os valores em São Paulo e, no dia seguinte, fez a entrega na sede do PMDB da Bahia", registra o anexo.

Um dos pol√≠ticos mais pr√≥ximos de Temer, Geddel chefiava a Secretaria de Governo at√© novembro do ano passado, quando pediu demiss√£o por ter, supostamente, tentado influenciar o Minist√©rio da Cultura a lhe conceder uma decis√£o favor√°vel. Ele est√° preso em Bras√≠lia desde a semana passada, depois que a Pol√≠cia Federal descobriu que escondia R$ 51 milh√Ķes em notas num apartamento da capital baiana.

O jornal O Estado de S. Paulo procurou o Palácio do Planalto, que ainda não se manifestou. A defesa de Geddel disse que não se manifestaria, pois não teve acesso aos anexos. José Yunes ainda não foi localizado pela reportagem.

AE
Comentários

Carregando notícias...
COPYRIGHT © - PORTAL ALÔ - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
ANUNCIE | FALE CONOSCO | COMERCIAL | EXPEDIENTE | TRABALHE CONOSCO