Trump encerra participa√ß√£o na Otan declarando vit√≥ria; Macron rebate afirma√ß√Ķes
12/07/2018 13h05
O presidente Donald Trump encerrou sua participa√ß√£o na c√ļpula da Organiza√ß√£o do Tratado do Atl√Ęntico Norte (Otan) nesta quinta-feira, 12, declarando vit√≥ria e afirmando que os pa√≠ses membros cederam √†s suas exig√™ncias de aumentar os gastos com defesa. Mas o presidente franc√™s, Emmanuel Macron, rapidamente contestou tal afirma√ß√£o e disse que os gastos ficar√£o no estabelecido de 2% do PIB da cada pa√≠s.

"O compromisso dos Estados Unidos com a Otan continua muito forte", disse Trump a rep√≥rteres. O presidente americano usou sua participa√ß√£o no encontro em Bruxelas para repreender os membros do tratado por n√£o gastarem o suficiente com defesa. Ele acusou a Europa de se aproveitar dos EUA e levantou d√ļvidas sobre defender os aliados em caso de ataque.

"Eu avisei que estava extremamente infeliz com o que estava acontecendo", disse o presidente, acrescentando que os países europeus concordaram eu aumentar seus gastos. "Eles aumentaram substancialmente seu comprometimento e agora estamos muito felizes e temos uma Otan muito, muito poderosa, muito forte", declarou.

Apesar disso, Trump n√£o especificou quais pa√≠ses haviam se comprometido ou qual o teor do comprometimento. O presidente pareceu sugerir um cronograma acelerando, apontando que as na√ß√Ķes estariam "gastando em um ritmo muito mais r√°pido". "Alguns est√£o em 2%, outros concordaram definitivamente em ir al√©m dos 2%", disse.

Em 2014, os países da Otan se comprometeram a gastar 2% de seu PIB na área de defesa até 2024. A organização estima que apenas 15 membros, pouco mais da metade, devem atingir a meta dentro do prazo.

Macron, durante coletiva, rejeitou a afirmação de Trump de que os signatários concordaram em aumentar a meta para além dos 2% já estabelecidos. Ele disse apenas que os países membros reiteraram sua intenção de chegar aos 2% até 2024.

A fala do presidente franc√™s ocorreu em meio a relatos de que Trump teria amea√ßado deixar a alian√ßa caso seus membros n√£o aumentassem os gastos, mas autoridades disseram que nenhuma amea√ßa expl√≠cita foi feita. "O presidente Trump nunca, em p√ļblico ou em particular, amea√ßou se retirar da Otan", afirmou Macron.

Hostilidade

Trump adotou um tom agressivo durante a c√ļpula, questionando o valor da alian√ßa que definiu, por d√©cadas, a pol√≠tica externa americana. Nesta quinta-feira, o presidente se dirigiu aos aliados pelo Twitter, dizendo que "presidentes t√™m tentado sem sucesso, por anos, fazer a Alemanha e outras na√ß√Ķes ricas da Otan a pagar mais por sua prote√ß√£o da R√ļssia".

Ele reclamou que os EUA "pagam dezenas de bilh√Ķes de d√≥lares" para subsidiar a Europa e exigiu que as na√ß√Ķes cheguem √† meta dos 2%, acrescentando que "deve chegar a 4%".

Censurado por sua postura amig√°vel a Vladimir Putin, Trump tamb√©m criticou duramente os la√ßos da Alemanha com a R√ļssia, alegando que um empreendimento de g√°s natural entre Berlim e Moscou deixou o governo da chanceler Angela Merkel "totalmente ref√©m" da R√ļssia.

Os ataques continuaram, com Trump reclamando que "a Alemanha acabou de come√ßar a pagar a R√ļssia, o pa√≠s do qual querem se proteger". "N√£o √© aceit√°vel!", declarou, antes de reuni√Ķes com l√≠deres do Azerbaij√£o, Rom√™nia, Ucr√Ęnia e Ge√≥rgia.

Durante a viagem, Trump tamb√©m questionou a necessidade da exist√™ncia da alian√ßa, que foi um baluarte contra a agress√£o sovi√©tica. Depois de um dia de encontros contenciosos, ele recorreu ao Twitter, mais uma vez, para fazer suas cr√≠ticas. "De que adianta a Otan se a Alemanha est√° pagando √† R√ļssia bilh√Ķes de d√≥lares por g√°s e energia?"

Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental comunista, rebateu as declara√ß√Ķes dizendo que vivenciou parte da Alemanha controlada pela Uni√£o Sovi√©tica. "Hoje estou muito feliz por estarmos unidos em liberdade como Rep√ļblica Federal da Alemanha e assim podermos dizer que podemos determinar nossas pr√≥prias pol√≠ticas e tomar nossas pr√≥prias decis√Ķes".

Apesar das críticas, Trump tem sido mais conciliatório nos bastidores. "Devo dizer que a atmosfera da noite passada no jantar foi muito aberta, foi muito construtiva e muito positiva", disse a presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic.

Agitação

Em meio ao tumulto, a primeira-ministra brit√Ęnica, Theresa May, cujo governo enfrenta turbul√™ncia com os planos para deixar a Uni√£o Europeia, fez um apelo √† solidariedade entre os aliados. "Ao nos envolvermos com a R√ļssia, devemos faz√™-lo a partir de uma posi√ß√£o de unidade e for√ßa, mantendo a esperan√ßa por um futuro melhor, mas tamb√©m clara e inabal√°vel sobre onde a R√ļssia precisa mudar seu comportamento para que isso se torne realidade", disse.

Trump lidera a c√ļpula ao lado do Reino Unido. Embora os funcion√°rios de sua administra√ß√£o apontem para a alian√ßa de longa data entre os dois pa√≠ses, o itiner√°rio do presidente na Inglaterra o manter√° longe do centro de Londres, onde protestos s√£o aguardados.

Em vez disso, uma série de eventos acontecerá fora da cidade, cujo o prefeito, Sadiq Khan, tem travado uma batalha verbal com Trump. O presidente terá um jantar de gala com líderes empresariais, um encontro com May e um jantar com a rainha Elizabeth II.

O embaixador dos EUA no Reino Unido, Woody Johnson, rejeitou a import√Ęncia dos protestos. Segundo ele, h√° um motivo pelo qual as duas na√ß√Ķes s√£o t√£o pr√≥ximas. "√Č porque temos as liberdades pelas quais todos lutamos. E uma das liberdades que temos √© a liberdade de express√£o, de expressar nossos pontos de vista", argumentou. Johnson ressaltou que Trump tamb√©m vai conhecer a rainha e "realmente vai amar" a experi√™ncia. Fonte: Associated Press.

AE
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